Desafios e possibilidades para a escrita de resumos científicos

Recentemente tive de preparar uma aula sobre o preparo de resumos científicos. Preparei o seguinte esboço para a aula.  Espero que seja útil para que estiver às voltas para resumir em cerca de 300 palavras um trabalho de 100 páginas, digamos.

Cada qual é livre para dizer o que quiser, mas sob a condição de ser compreendido por aquele a quem se dirija” (Jean Cohen).

Maria de Lima Wang

Nesta aula vamos discutir o preparo do resumo como parte do processo de produção de pesquisa. Apresentaremos breve caracterização de um resumo e discutiremos alguns procedimentos para sua redação. Tomaremos por base algumas normas de publicação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da Associação Americana de Psicologia (APA).

Resumir relatórios ou artigos científicos é um desafio importante, especialmente para jovens autores com pouca experiência em comunicar resultados de pesquisas. Para quem trabalhou arduamente em uma pesquisa, a exigência de sintetizá-la em um parágrafo de 300 palavras ou menos pode soar como se reduzisse a importância do próprio trabalho. Além disso, escrever de forma concisa é mais difícil do que de forma prolixa, como sugere Koopman (1997). Para esse autor, escrever um bom resumo exige quase o mesmo trabalho envolvido na redação das múltiplas páginas do trabalho original.

Pierson (2004) ilustra a questão ao citar um conselho que recebeu de seu orientador, Thomas Petty, sobre o desafio de sintetizar informações complexas de forma clara e concisa:

Se você quiser uma apresentação de 10 minutos, posso prepará-la em uma semana; se quiser uma apresentação de 30 minutos, posso prepará-la para amanhã; se você quiser uma apresentação de uma hora, estou pronto agora (Pierson, 2004, p.1207, citando Thomas Petty).

Embora escrever o resumo de uma pesquisa seja uma atividade complexa e crucial para o sucesso da comunicação de resultados de um estudo, normalmente autores dão pouca atenção para essa tarefa (Sousa, 2006).

Definição – A ABNT define a atividade de sintetizar um texto para a comunicação de resultados de pesquisa conforme a seguir:

“Apresentação resumida, clara e concisa do texto, destacando-se os aspectos de maior interesse e importância. Deve ser redigida de forma impessoal, não excedendo 500 palavras. O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho.”

Conforme a APA (2001), resumo (abstract) é um “sumário breve e compreensível do conteúdo de um artigo… denso de informações e ao mesmo tempo compreensível, bem organizado, breve… pode ser o mais importante parágrafo de um artigo” (APA, 2001, p.12).

Com o resumo atinge-se pelo menos dois objetivos, além do principal, que é comunicar, de forma sucinta, resultados de uma pesquisa: a) permite-se que leitores entrem em contato, rapidamente, com o conteúdo de um relatório ou artigo científico (ou de um projeto de pesquisa) e, com base nessas informações, decidam se é conveniente ler o trabalho original; b) possibilita-se a serviços de indexação a recuperação de informações relevantes sobre o trabalho sintetizado (APA, 2001, Fernandes, 2002).

Pierson (2004) descreve um aspecto envolvido da escrita de um resumo que pode ser visto pelo autor como mais uma vantagem da tarefa de resumir. Ao transformar um trabalho de pesquisa completo em uma breve síntese, o preparo do resumo leva o autor a refletir sobre os aspectos mais importantes da própria pesquisa. Esses aspectos podem se relacionar com o problema de pesquisa, o método, o desenho experimental, as implicações do trabalho (Pierson, 2004, p. 1206.)

Estrutura – Tipicamente, um resumo compõe-se de título; autoria(s) e afiliação; o resumo propriamente e palavras-chave. A seguir, discutiremos indicações de preparo desses itens, baseando-nos nas normas da APA (2001).

Título – Descrever em 10 ou 12 palavras, de forma acurada, o conteúdo do artigo. Deve fazer sentido por si. Em um título devem-se evitar jargões desnecessários, abreviações, palavras desnecessárias.

Autor(es) e afiliação  – Indicar nome e sobrenome do(s) autor(s) com respectivas afiliações (instituição em que a pesquisa foi realizada) e formas de contato (e-mail, telefone). Não mencionar títulos ou posição como Dr., professor, PhD.

O resumo deve ser escrito um único parágrafo e com espaçamento simples entre linhas. Normalmente deve referir-se à motivação (contexto) para a realização da pesquisa, ao problema, método, aos resultados e às conclusões.

Contexto e problema – O autor deve apresentar de forma clara e concisa o contexto do problema – por que se interessou por aquele problema – em seguida deve declarar o problema, de preferência em uma sentença.

Método – Descrever os aspectos mais importantes do procedimento empregado para resolver o problema de pesquisa. O autor relata como conduziu o estudo: descreve os procedimentos que adotou para resolver o problema de pesquisa.

Resultados – Relatar os dados mais importantes dos resultados.

Conclusões – Relatar implicações dos resultados para a área de pesquisa.

Palavras-chave – Indicar palavras ou frases que reflitam conceitos centrais da pesquisa: podem referir-se ao problema, ao método ou à área do estudo.

A seleção cuidadosa de palavras-chave busca facilitar a recuperação de pesquisas, conforme essas palavras são usadas nos sistemas de indexação. Cada palavra-chave deve ser separada por ponto (conforme a ABNT). Palavras-chave também têm a função de ajudar o editor científico a encaminhar adequadamente artigos para revisão entre pares.

Características de um bom resumo De acordo com a APA (2001), o resumo deve ser acurado, autoexplicativo, conciso e específico. Vejamos como a APA descreve essas características.

Acurado Deve refletir corretamente o propósito e o conteúdo de um manuscrito. Não se deve incluir em um resumo informações que não apareçam no corpo do texto.

Autoexplicativo – O resumo de uma pesquisa ou artigo deve ser completo, bastar por si.  Deve-se evitar remeter o leitor para o corpo do trabalho (com expressões vide tal seção, por exemplo) assim como fazer citações. Devem-se definir abreviações, acrônimos, termos com significado especial, nome de testes e de drogas. Se forem citados trabalhos anteriores, deve-se mencionar nome e sobrenome dos autores com a data de publicação.

Conciso e especifico – Cada sentença deve ser informativa, afirmativa e sucinta, sem incluir palavras ou frases desnecessárias. Deve-se iniciar a sentença pela informação mais importante (pode ser o propósito ou a tese, um aspecto dos resultados ou das conclusões).

Entre as diretrizes da APA (2001) para a escrita de um resumo acurado, autoexplicativo, conciso e específico incluem-se:

  • Usar algarismos para números, exceto se iniciar uma sentença com número (o que se deve evitar).
  • Dar preferência à voz ativa (sem o pronome pessoal eu ou nós).
  • Informar em vez de avaliar – não incluir comentários ou opinião sobre o conteúdo do trabalho. O autor deve limitar-se a descrever o trabalho realizado ou a ser realizado.
  • Apresentar claramente e de forma breve o propósito do trabalho. Ser cauteloso com o uso de adjetivos e de advérbios.
  • Preferir o tempo presente para descrever resultados e discussão e tempo passado para descrever a manipulação de variáveis ou aplicação de testes. Adotar a 3ª pessoa em vez da 1ª do discurso (APA).
  • Evitar sentenças e frases desnecessárias, que não contenham informações.

De acordo com o Manual da APA (2001, p.14), em um resumo devem-se destacar certas informações conforme o tipo de pesquisa (experimental, de revisão, histórico-conceitual).

O resumo de um relatório de pesquisa empírica deve conter:

  • O problema investigado em uma sentença, se possível.
  • Os participantes ou sujeitos, especificando-se número, idade, sexo, gênero, espécie.
  • Método (incluindo equipamentos, procedimento de coleta de dados, nome completo de testes, nomes genéricos completos e dosagem de qualquer droga).
  • Descobertas, conclusões, aplicações e implicações.

Resumo de um trabalho de revisão ou artigo teórico deve conter:

  • A classe geral de método empregado, proposto ou discutido.
  • Características essenciais do método proposto.
  • A abrangência de aplicação do método proposto.

Resumo sobre um estudo de caso deve conter:

  • O sujeito e características relevantes do indivíduo ou da organização em estudo.
  • A natureza ou solução de um problema ilustrado pelo caso.
  • Questões levantadas (teóricas ou para pesquisas adicionais).

Limite de palavras para um resumo

A ABNT indica os seguintes critérios:

Entre 150 a 500 palavras (resumos de monografia, teses e de dissertações); entre 100 a 250 palavras (artigo científico); entre 50 a 100 palavras resumos para indicações breves.

Segundo a APA (2001), o resumo de um artigo não deve ter mais de 120 palavras.

Como escrever um resumo em quatro sentenças – Fernandes (1997) propõe uma fórmula para escrever resumo em quatro sentenças. Na primeira sentença, declara-se o problema de pesquisa. Na segunda, relata-se por que aquele é um problema. Na terceira sentença descreve-se a essência da solução ou da contribuição do autor para o problema a que se propôs a resolver. A quarta sentença é continuação da terceira declaração. O autor ilustra o método com o seguinte exemplo.

Frase 1:   “A taxa de rejeição de artigos do OOPSL (Object Oriented Programming Systems Languages)  está próxima de 90% ® Esse é o problema.

Frase 2:   A maioria dos artigos não são rejeitados por falta de boas ideias, mas porque estão mal estruturados ®  por que aquilo é um problema (esclarece a hipótese do autor sobre o problema).

Frase 3:   Seguindo quatro passos simples ao escrever um artigo irá aumentar dramaticamente a sua chance de aceitação  ® como resolver o problema (frase para capturar o leitor).

Frase 4:   Se cada autor seguisse esses passos, a quantidade de comunicações na comunidade de “orientação a objetos” aumentaria, melhorando a taxa de progresso do campo e a taxa de aceitação do OOPSL.

Considerações finais – O foco nesta aula foi a produção de um resumo científico. Mas o que está em questão é a escrita científica em geral. Cientistas, talvez mais que qualquer profissional, precisam escrever de forma lógica, clara, concisa, porque disso também depende o avanço da ciência. E escrever com lógica, clareza, concisão é tarefa complexa, que exige dedicação do autor, como destaca Dawkins (2008).

Richard Dawkins, organizador da coletânea The Oxford Book of Modern Science Writing (Dawkins, 2008) afirma que muitos dos melhores cientistas dedicam-se tanto às palavras quanto às equações que resolvem e aos experimentos que planejam. No entanto, segundo Barras (1978), muitos cientistas não receberam treinamento adequado sobre como escrever. Barras considera uma ironia ensinar cientistas e engenheiros a utilizarem instrumentos e técnicas, muitas dos quais nem usarão, e não os ensinar escrever. “Escrever é o que eles precisarão fazer todos os dias – como estudantes, como administradores, como executivos, como cientistas e engenheiros”. (Barrass, 1978, p.4)

Mas se alguém não foi ensinado explicitamente a como escrever, há muita literatura que busca ensinar como escrever. Mas a habilidade de escrita depende de o autor escrever, repetidas vezes, e sempre em busca de aperfeiçoar o próprio estilo.

No caso da redação de resumos, Fernandes (2002) propõe um caminho possível: a) escrever repetidas vezes e pedir que um colega revise o manuscrito; b) tornar-se revisor de manuscritos de outras pessoas. Que dizer: apenas ouvir apresentações como esta não vai mudar a produtividade ou a fluência de ninguém como escritor. Viu-se que a habilidade de escrever, especialmente escrever de forma sucinta, como exigida na produção de um resumo, depende da exposição do autor, repetidas vezes, a tarefas de escrita. Escrever um bom resumo é trabalhoso, mas é um esforço que será recompensado com mais visibilidade para a pesquisa sintetizada, o que, por sua vez, é essencial para o progresso da ciência.

Roteiro de atividade

O aluno deverá levar para a aula o resumo de um trabalho de própria autoria (se não tiver  texto próprio, levar resumo de outro autor).

1.   Em sala de aula, os alunos devem trocar resumos entre si, de forma que cada um tenha um resumo para ler e comentar.

2. Ao comentar o texto do colega, buscar identificar: a) informações sobre o contexto da pesquisa; b) problema de pesquisa; c) informações sobre o método; d) informações sobre resultados e discussões.

3. Comentar o resumo do colega tendo em vista a) critérios de clareza e concisão; b) limite de palavras indicado para esse tipo de comunicação.

4.   A dupla de alunos (autor e revisor) deve reescrever o resumo (se for preciso) incluindo informações que julgue necessárias ou retirando informações desnecessárias.

5. Discutir com a classe mudanças propostas para o resumo comentado na atividade entre pares.

 

Referências:

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6028: Informações e documentação: resumo: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

Barras, R. (1978). Os cientistas precisam escrever: guia de redação para cientistas, engenheiros e estudantes. São Paulo: Edusp

Dawkins, R. (2008). The Oxford Book of Modern Science Writing. NY: Oxford University Press.

Fernandes, T. C. (2002). Dicas para escrever artigos Científicos. Palestra apresentada dia 27 de Agosto de 2002 no Departamento de Informática e Estatística da UFSC.  Disponível em: http://rvianalima.blogspot.com/2010/09/dicas-para-escrever-artigos-cientificos.html (recuperado dia 10/05/2011)

Koopman, P. (1997). How to Write an Abstract. Carnegie Mellon University. Disponível em: http://www.ece.cmu.edu/~koopman/essays/abstract.html (recuperado dia 08/05/2011).

Pierson, D.J. (2004).How to write an abstract that will be accepted for presentation at national meeting. Respir Care. 49(10), 1206-12.

Publication manual of the. (2001). American Psychological Association. (5th ed.). Washington, DC.

SOUSA, V. D. (2006). Como escrever o resumo de um artigo para publicação. Acta paulista de enfermagem. [online]. vol.19, n.3, pp. 5-8. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-21002006000300001&script=sci_arttext (recuperado dia 08/05/2011)

Diversidade de opinião conforme Descartes

Em razão da minha tese, tenho refletido bastante ultimamente sobre o que produz ou deixa de produzir diversidade nas comunidades verbais. Um texto interessante a respeito é o de Bernard Guerin “Attitudes and beliefs as verbal behavior” (Guerin, 2004). Nesse artigo, Guerin confronta a definição de atitudes e crenças conforme perspectivas da psicologia social e mostra que, na abordagem da análise do comportamento, não existe distinção clara entre crenças e atitudes, que podem ser definidas, de forma genérica, como comportamento verbal mantido por reforço social generalizado, e, como tal, pode variar conforme contingências dispostas pela comunidade verbal.

Guerin, B. (2004).Attitudes and beliefs as verbal behavior. The Behavior Analyst, 1, 17 (pp. 155-163).

***

E revendo minha agenda de 2008, encontro a seguinte citação de René Descartes:

“A diversidade das nossas opiniões não provém do fato de uns serem mais racionais do que os outros, mas tão-somente em razão de conduzirmos o nosso pensamento por diferentes caminhos e não considerarmos as mesmas coisas”.

Cientistas do Brasil e do Reino Unidos discutem fronteiras da ciência

O evento começa no próximo dia 27 de agosto em Itatiba-SP. É organizado pela Royal Society e pela FAPESP, em parceria com British Council, Academia Brasileira de Ciências, Academia Chilena de Ciências e Cooperação Reino Unido-Brasil em Ciência e Inovação. Leia mais sobre o evento no site da Agência FAPESP e neste link: www.fapesp.br/frontiersofscience

Analistas do comportamento reúnem-se em evento para discutir avanços e desafios da ciência comportamental

Falta um mês para o início da 19º edição do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC), que será realizado entre 23 e 26 de setembro no Campos do Jordão Arts & Convention Center e no Hotel Serra da Estrela. De acordo com dados divulgados pelo presidente do Encontro, Denis Roberto Zamignani, já são 1.200 inscritos, mais de 300 apresentações orais e cerca de 300 painéis. Serão mais de 700 horas de trabalhos, distribuídas em 19  atividades simultâneas, durante os quatro dias de Encontro.

Participam do Encontro pesquisadores de todo o Brasil, abrangendo desde a iniciação científica ao pós-doutorado. Entre os participantes, 120 foram convidados especialmente pela ABPMC pelo seu papel destacado na área, para discutir, entre outros temas, avanços e desafios em suas respectivas áreas de pesquisas. Desses, seis são estrangeiros.

Durante o encontro, serão discutidos  temas que afetam diretamente a sociedade moderna, relacionados, por exemplo, com educação, práticas culturais, saúde pública, desenvolvimento atípico, enfim, temas relativos a desafios e possibilidades da ciência comportamenta para a solução de problemas humanos práticos, atuais e futuros (clique aqui para ver a relação de temas e convidados do Encontro).

A relação de cursos pré-encontro já está disponível no site do evento: www.xixencontroabpmc.com.br. A partir da próxima semana, participantes do Encontro poderão se inscrever em um dos cursos do evento.

E mais uma novidade: a ABPMC acaba de divulgar a informação de que o Encontro de 2011 será realizado em Salvador. “A proposta de Salvador atende a uma reivindicação antiga dos participantes da região Nordeste”, escreveu Zamignani em uma de suas comunicações aos sócios da ABPMC.

Mais informações sobre o 19º Encontro da ABPMC no site do evento. Clique aqui visitar o site da ABPMC e obter mais informações sobre a instituição.

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Com informações da ABPMC.

Criatividade e comunicação científica

Esta semana discutimos em uma das aulas do PEXP criatividade no pesquisar científico. Concluiu-se que não é possível definir comportamento criativo porque criatividade envolve muitos comportamentos diferentes estudados por diversas áreas dentro da análise do comportamento (variabilidade, solução de problemas, comportamento novo, insight) e fora da área.

No entanto, seja qual for a noção de “criatividade” adotada na atividade de pesquisa, penso que ela terá de envolver, em alguma medida, escrita, comunicação e difusão do conhecimento produzido.  A meu ver o pesquisador que recebe o rótulo de criativo deveria se comprometer com comunicação e difusão do conhecimento que produz ou deveria contar com pessoas especialmente preparadas para ajudá-los nessa tarefa. Em vez de esperar que a sociedade vá até o cientista para descobrir o que ele está descobrindo, o cientista deveria ter compromisso formal de levar ao público (não apenas aos pares) suas descobertas.  

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Pesquisa indica que a linguagem da comunidade científica anda cada dia mais inacessível (clique aqui para ler uma pesquisa sobre a inacessibilidade da ciência). Qual será a origem do problema? Será que não faltam a cientistas treino formal para aprender a difundir de forma eficiente (de forma a afetar o ouvinte) o connhecimento que produz?

Para refletir sobre essa questão cito dois trechos de Robert Barrass, autor do livro Os Cientistas Precisam Escrever.  Barrass considera que falta treino formal para a escrita científica:

“Escrever é parte da ciência. Não obstante, muitos cientistas deixam de receber treinamento da arte de escrever. Há uma certa ironia no fato de ensinarmos nossos cientistas e engenheiros a utilizarem instrumentos e técnicas, muitas das quais jamais utilizarão em sua vida profissional, e, no entanto, não os ensinamos  a escrever. Escrever é o que eles precisarão fazer todos os dias…  Escrever ajuda a  lembra, a observar, a pensar”.

Sobre a popularização da ciência, Barrass afirma:

“Os cientistas devem escrever relatos formais de seu trabalho para publicação em revistas lidas especializadas mas devem se preocupar com a compreensão de seus trabalhos por leitores leigos no tema. “Se não nos preocuparmos com a divulgação da ciência, ou com o debate  sobre o impacto da ciência na sociedade, não deveremos nos surpreender se a ciência e a tecnologia permanecerem um livro fechado….Escrever bons livros para os jovens é uma das mais importantes obrigações de cada geração de cientista…(Barrass, 1979,p.29).

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Marcelo Gleiser, em A Dança do Universo – Dos mitos de Criação ao Big-Bang afirma o seguinte:

“Gosto de comparar o cientista que escreve sobre ciência para o público em geral como um tradutor tentando encontrar modos para descrever certas imagens e idéias em uma nova língua que talvez não seja tão adequada quanto a língua original, no caso a matemática. Inevitavelmente, algo será sempre perdido na tradução, certas idéias e imagens terão seus significado obscurecidos ao serem expressas dentro de outra estrutura lingüística. Como solução, frequentemente apelarei para sua imaginação, invocando as imagens da vida diária que irão ajudar na elucidação de certos aspectos mais técnicos. Assim como em música não é necessário saber ler uma partitura para poder apreciar a beleza de uma sinfonia, em física tampouco se precisa saber resolver uma equação para apreciar a beleza de uma teoria”… A ciência vai muito além de sua mera prática. Por trás das fórmulas complicadas, das tabelas de dados experimentais e da linguagem técnica, encontra-se uma pessoa tentando transcender as barreiras imediatas da vida diária, guiada por uma insaciável desejo de adquirir um nível mais profundo de conhecimento e de realização própria. Sob esse prisma, o processo criativo científico não é assim tão diferente do processo criativo nas artes, isto é, um veículo de autodescoberta que se manifesta ao tentarmos capturar nossa essência e o lugar no universo.  (pp.13-17).

No caso da análise do comportamento, quais seriam desafios e possibilidades para a difusão da área?

Sobre a Jornada de Análise do Comportamento da USP

Para quem perdeu a Jornada de Análise do Comportamento da USP, Paulo Abreu oferece uma boa descrição das atividades realizadas no evento no site do Instituto de Análise do Comportamento de Curitiba.

Clique aqui.

Curso de Verão em Análise do Comportamento na PUC-SP

O segundo Curso de Verão em Análise do Comportamento da PUC-SP será realizado entre 10 e 21 de janeiro de 2011. Serão 80 horas de curso, com aulas em período integral, exceto aos sábados quando as aulas ocorrem só no período da manhã. Mais informações com a comissão organizadora, e-mail cursodeveraopuc@gmail.com

PEXP cria disciplina ministrada por professores convidados

O Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento da PUC-SP oferta neste semestre a disciplina Temas em Análise do comportamento, eletiva do mestrado e do doutorado que será ministrada por professores convidados. O professor João Cláudio Todorov iniciou hoje, dia 9 de agosto, o cronograma da disciplina previsto para o semestre. Todorov inaugurou as atividades da disciplina com aula sobre “A Quantifificação da lei do efeito”. Além de aulas em dois horários (tarde e noite), o professor apresenta palestra, aberta ao público em geral, sobre Metacontingência.

O cronograma de atividades do professor Todorov no PEXP previa atividades entre 13h30 e 21h30: uma maratona e tanto para o professor e alunos.

 O próximo convidado da disciplina será o professor Gerson Tomanari, que dará aula no PEXP no dia 30 de agosto. Está prevista a participção de professores como Maria Emilia Yamamoto, Daisy das Graças de Souza, Emmanuel Tourinho entre outros.  

P.S: Infelizmente um probleminha de saúde impediu-me de assistir às aulas do professor Todorov. Sem poder ir à PUC sobrou-me um tempinho para atualizar o blog.

Análise do comportamento e fenômenos culturais

O Instituto de Análise do Comportamento de Curitiba (IACC) promove dia 30 de outubro  a segunda edição do curso Análise de Contingências de Fenômenos Culturais. As aulas serão ministradas pelos professores Alexandre Dittrich (professor doutor da Universidade Federal do Paraná), Fernanda Gutierrez Guimarães (doutoranda da PUC-SP e docente da Universidade Positivo) e Hélder Lima Gusso (doutorando da Universidade Federal de Santa Catarina e docente da Universidade Positivo).

Segundo os organizadores do curso, nessa segunda edição os professore vão apresentar avanços da análise do comportamento no estudo de práticas culturais buscando dialogar com outros pesquisadores fora da área, como o biólogo e geógrafo norte-americano Jared Diamond.

O curso destina-se a interessados em entender relações comportamentais na cultura sob o ponto de vista selecionista de B.F.Skinner.

Mais informações podem ser obtidas no site do IACC.

ABPMC publica nova edição do Contexto

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental acaba de publicar em seu site nova edição do Contexto. A publicação, com novo visual, destaca trabalhos de veteranos e de novos talentos da área. Confira o boletim na íntegra clicando aqui.

***

Resposta da ABPMC a comentários equivocados de Diogo Mainardi sobre o behaviorismo e o trabalho de B. F. Skinner ganha destaque na blogosfera. O texto foi publicado primeiramente no Vermelho e depois do Observatório da Imprensa. O resultado ilustra bem o potencial da internet para o exercício do contracontrole. Penso que se Skinner contasse, em sua época, com uma tecnologia poderosa como a Internet, a difusão e a aceitação de sua proposta para estudo do comportamento estariam em outro estágio.

ABPMC adia para 30 de junho prazo para submissão de trabalhos

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) adiou para 30 de junho a submissão de trabalhos para seu 19º Encontro, que será realizado entre os dias 23 e 26 de setembro em Campos do Jordão. Esse prazo vale para o envio de propostas de:

· Mesas Redondas

· Simpósios

· Casos clínicos para supervisão

· Comunicações orais.

O prazo final para a submissão de painéis continua a ser 5 de agosto. Mais informações no site da ABPMC e no site do XIX Encontro

Nature destaca conquistas da ciência brasileira

A repórter Anna Petherick, da Nature, afirma na matéria High hopes for Brazilian science que a comunidade científica brasileira está diante de boas perspectivas tanto no que se refere a política cintífica quanto a produção científica do País. Presente à 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI ) realizada entre os dias 26 e 28 de maio, em Brasília, a repórter destacou o trabalho do Ministério de Ciência e Tecnologia para a criação de políticas de Estado para o desenvolvimento científico brasileiros.  Clique aqui para ver um vídeo sobre o encerramento do evento. 

Segue texto publicado pela Nature.

High hopes for Brazilian science

As President Lula prepares to leave office, researchers expect that innovation will invigorate the economy.

Anna Petherick

Brasilia, Brazil

It is rare that a head of state ends a second term with approval ratings of around 80%. But when Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva took to the stage last month at a science-policy conference, his popularity was clear: more than 3,000 scientists, administrators and industrialists stood to applaud him and to cheer his science minister of five years, Sérgio Rezende.

Brazil's President Luiz Inácio Lula da Silva wants scientific investment to continue after his departure.Brazil’s President Luiz Inácio Lula da Silva wants scientific investment to continue after his departure.G. MIRANDA/AGÊNCIA O GLOBO/NEWSCOM

With a government convinced that science is an essential part of a growing economy, Brazilian researchers have never known better times, and the 4th National Conference on Science, Technology and Innovation in Brasilia on 26–28 May was brimming with optimism for an even sunnier future. At the conference, Lula signed a series of bills that will help to sustain his legacy of science investment after he and Rezende leave office on 1 January 2011. The bills, if enacted by the National Congress, will increase funding for postdocs and establish three new biodiversity research centres, with the overall goal being to further reduce the country’s brain drain and perhaps even reverse it.

The conference will deliver a consensus statement from Brazil’s top scientific brass on where its research programme should focus over the next decade. The document is likely to be influential, says Luiz Davidovich, a director of the Brazilian Academy of Sciences and a physicist at the Federal University of Rio de Janeiro. “The conference is the first time that those at the heart of science, and those tangentially involved, have all been brought together — and at a point when things are really taking off,” adds Carlos Henrique de Brito Cruz, the scientific director of FAPESP, São Paulo’s state research foundation. The consensus statement, due to be published in two months’ time, will be sent to all of the presidential candidates.

One prominent suggestion expected to be in the statement is the fostering of centres of excellence. “We need to look after our Pelés as well as build more football pitches,” says de Brito Cruz. “The current focus of funding is on new centres, but there is no specific programme to fund research stars.” Another proposal is to provide more incentives for multinational companies to conduct research and development in Brazil.

These policies would build on a well-funded foundation. The Brazilian Ministry of Science and Technology says that after Lula took office in 2003, total public and commercial funding for science and technology soared from 21.4 billion reais (US$11.4 billion) to 43.1 billion reais in 2008 (or from 1.26% to 1.43% of Brazil’s growing gross domestic product; GDP) — due in part to Lula, and to policies implemented by former president Fernando Henrique Cardoso. Publications by Brazilians in peer-reviewed science journals have leapt from 14,237 in 2003 to 30,415 in 2008, according to data analysts Thomson Reuters.

This is impressive not only in the context of Latin America but also compared with Russia, India and China, for example. In 2000, Brazil generated 43% of Latin America’s peer-reviewed publications. Scientific output has since improved across the region, but in 2008, Brazilian publications made up 55% of the total. Brazil has particular strengths in agricultural science; for example, in 2000, a consortium based in São Paulo became the first in the world to sequence the genome of a plant pathogen, the bacterium Xylella fastidiosa, which destroys citrus crops.

Brazil spends significantly more per researcher than China or Russia, according to its science ministry. “I believe we have reached a point where the sector will grow organically,” says Rezende. “So the next person in charge will not have to do much.”

Science is also doing well at the level of individual states, which provide a significant source of public funding, although efforts to boost science are patchy. Many states are looking to emulate wealthy São Paulo, which has the strongest scientific tradition. “There is an article from 1947 in the constitution of the state of São Paulo,” explains de Brito Cruz. “It says that 1% of all revenues of the state go towards research. No other science-funding agency in possibly the whole world has that kind of financial security and autonomy [from the federal government].”

The benefits of having significant funding separate from federal sources were felt most keenly in the 1990s, when Brazil’s government struggled with economic stresses such as hyperinflation. Science funding dried up elsewhere in the country, but researchers in São Paulo experienced much less disruption. Recently, other states have copied this legislation. In addition, São Paulo’s three large state universities receive 9.57% of the state’s income from its lucrative sales tax, giving them a unique boost.

But even in São Paulo, the growth in published research has not been matched by growth in patented research, which is crucial if science is to invigorate the economy and provide a better quality of life for Brazil’s 193 million inhabitants. Most scientists at the May conference agreed that solving this problem is probably the biggest challenge facing Brazilian science.

Early in its tenure, Lula’s administration made it legal for the government to fund research by private companies, and afforded tax breaks to firms that invest in innovation. But the number of patented inventions coming out of Brazil has risen only slightly since these measures were passed. “The problem is that company directors have the option of putting money in the hands of their heads of finance to generate a return in the financial markets, or in those of their head of research and development, which is risky and expensive,” says Eduardo Viotti of Columbia University in New York, who advises the Brazilian senate on science policy. “In the past, at least, it has seemed less risky to them to bet on the financial markets.”

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Commercial research and development is being boosted by the discovery in 2007 of large oil deposits off the coast of São Paulo and Rio de Janeiro. When oil does start flowing, Lula has promised that a proportion of the riches will be siphoned towards science. The exact percentage is still being debated, but it will be set before Lula and Rezende leave office.

The chances are good that scientists will get much of what they ask for on their consensus wishlist, even after Lula’s departure. The frontrunners in October’s presidential election are José Serra, a former governor of science-friendly São Paulo, and Lula’s former chief of staff Dilma Rousseff, who is backed by Lula and is expected to continue his policies. These may include his plan to raise science spending to 2% of GDP by 2020.

Conheça algumas das novidades do Encontro da ABPMC 2010

Visite o site do Encontro e fique por dentro de algumas novidades na programação deste ano. Clique aqui.

Alguns dos temas e convidados já confirmados para o Encontro. Clique aqui.

Lembrando que a submissão de trabalhos para o evento pode ser feita até 15 de junho. Clique aqui para ler instruções (propostas de painéis podem ser enviadas até 5 de agosto).

Para compreender comportamento verbal segundo Skinner

Algumas considerações sobre a definição de comportamento verbal.

Comportamento verbal segundo Amalia Andery e Tereza Maria de Azevedo Pires Sério (2004).

Comportamento Verbal e controle do comportamento humano Segundo Sério (2004).

Prefácio de Verbal Behavior  (por Jack Michael e Ernest Vargas).

ABPMC amplia prazo de submissão de trabalhos para seu 19º Encontro

 

A diretoria da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental ampliou o prazo de inscrição de trabalhos para seu XIX Encontro. A submissão de propostas de mesa-redonda, simpósio, casos clínicos para supervisão e de comunicação oral pode ser feita até o dia 15 de junho. Proposta de painéis podem ser submetidas até 5 de agosto. Clique aqui e acesse o site do XIX Encontro da instituição.

Veja vídeo da abertura do Encontro da ABPMC de 2009. 

ABPMC realiza Encontro anual entre 23 e 26 de setembro em Campos do Jordão

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) realizará seu 19º Encontro anual entre os dias 23 e 26 de setembro de 2010, em Campos do Jordão.  As atividades ocorrerão no Centro de Convenções de Campos do Jordão e no Hotel Serra da Estrela.

Inscrição e submissão de trabalhos para Encontro podem ser feitas pelo site do evento: http://www.xixencontroabpmc.com.br. O prazo para envio de trabalhos nas categorias mesa-redonda, simpósio, comunicações orais e casos clínicos termina dia 31 de maio. A submissão de propostas de painéis pode ser feita até o dia 5 de agosto.

Na abertura do evento, será apresentada uma mesa-redonda com discussão em torno das contribuições das Psicologias Cognitiva e Comportamental para a melhoria da qualidade de vida da população. Entre as palestras e cursos previstos para o encontro deste ano estão:

  •  Planejar e executar atividades de ensino como processo comportamental: contribuições da análise do comportamento;
  • Programas de habilidades sociais e análise do comportamento: diversidade e questões atuais;
  • Terapia comportamental de transtornos infantis;
  • Técnicas de intervenção em psicologia do esporte: a prática com atletas de alto rendimento;
  • Psicopatologia, psicoterapia e cultura.

Desde sua fundação, em 1991, a ABPMC realiza anualmente o Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental, no qual pesquisadores de todas as regiões brasileiras apresentam trabalhos científicos e discutem avanços e desafios da Psicologia no País, de modo particular nas subáreas Cognitivo-Comportamental, Medicina Comportamental e Análise do Comportamento.

É o maior foro de análise do comportamento do Brasil e o segundo maior do mundo, superado apenas pelo Encontro Anual da Associação Internacional para Análise do Comportamento –Association for Behavior Analysis International (ABAi) – com sede nos Estados Unidos.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site da ABPMC (www.abpmc.org.br), pelo telefone (11) 2548-6366 ou pelo e-mail abpmc@abpmc.org.br

Homenagem de Zé Dirceu a professora Téia

Do blog do Zé Dirceu

Saudades de Téia, um exemplo de luta

Publicado em 11-Mai-2010

Associo-me à justa homenagem prestada pela PUC-SP a Téia…Associo-me à justa homenagem prestada ontem (10.05) pela Faculdade de Ciências Humanas e de Saúde da PUC/SP, à Tereza Maria de Azevedo Pires Sério, a Téia, professora do Departamento de Psicologia da escola. A nossa querida Téia faleceu no último sábado (08.05) deixando a todos a marca de uma vida voltada ao respeito e a defesa da liberdade.Militante da Ação Popular (AP) durante o regime militar, Téia foi incansável em sua luta pela redemocratização do nosso país e pelas causas coletivas que dizem respeito à cidadania, tanto no movimento estudantil, quanto em sua vida profissional. Na PUC, sua atuação foi ímpar.Após ter ingressado na faculdade em 1968, travou sua primeira batalha estudantil na defesa dos excedentes, os alunos que passavam no vestibular, mas não tinham vaga garantida na universidade. Anos depois foi, também, uma das fundadoras da  Associação dos Professores da PUC/SP – APROPUC.

Mestra querida e profissional das mais competentes em sua área, ingressou no magistério acadêmico em 1971, chegando a ocupar a cadeira de professora titular de Análise do Comportamento na Psicologia da PUC-SP. Téia foi um exemplo de dedicação e luta por uma coletividade melhor. Deixa muitas saudades entre todos nós. A ela dedico o meu respeito, partilho a homenagem de sua universidade – uma medida de justiça – e aos familiares os meu sinceros pêsames.

***

 Clique aqui para ler sobre a homenagem da PUC-SP a uma de suas docentes insubstituíveis.

Linguagem como parte importante do comportamento humano

Em seu texto de apresentação de Verbal Behavior, Ernest Vargas cita trechos de uma carta de Skinner a Fred Keller. Nessa carta Skinner se refere a um trabalho que está preparando sobre linguagem e afirma que linguagem “é parte do comportamento – parte muito importante”. Vargas concorda com Skinner de forma enfática: “Certamente é”. E acrescenta: “Pessoas falam, escrevem gesticulam. Tudo ação. Que controla essas ações? Com que estão relacionadas? Qualquer ciência aprofundada do comportamento (thoroughgoing science) terá inevitavelmente de lidar com essa questão.”

 Skinner revela pessimista sobre a forma com que os linguistas receberiam sua proposta. “Sinto-me sem esperança de convencer os lingüistas”…Mas assim como Darwin que hesitou, mas um dia enfrentou os criacionistas e publicou A Origem das Espécies, Skinner, depois de mais de 23 anos de trabalho na obra, apresenta para a comunidade aquele que considerou ser sua obra mais importante para o estudo do comportamento humano: Verbal Behavior.  “Como behaviorista temos de enfrentar.. O que estou fazendo é aplicar conceitos nos quais trabalhei experimentalmente a esse campo não-experimental (mas empírico).

Para Vargas, Skinner tinha razão em estar pessimista porque  até então (1992) foram raros os lingüistas que reconheceram o mérito do trabalho de Skinner. “Com exceção de uma minoria muito pequena, até cientistas comportamentais, incluindo-se aqueles que se definem como ‘behavioristas’ não estão muito convencidos do valor de sua análise para o comportamento verbal”. Vargas considera que tem sido difícil aceitar ou compreender duas questões fundamentais: a) que comportamento verbal é modelado e mantido pelos mesmos mecanismos de seleção que modelam e mantém comportamento não-verbal;b) que comportamento verbal distingue-se de outros tipos de comportamentos de tal forma que exige tratamento específico.

Clique aqui para ler texto de Ernest Vargas e de Jack Michael de introdução ao Livro Verbal Behavior de B.F. Skinner.

Paulo Vannuchi debate direitos humanos na PUC-SP

Do informativo Acontece na PUC-SP

Direitos Humanos
Ministros discutem Programa Nacional de Direitos Humanos na PUC-SP
Os ministros Paulo Vannuchi (Secretaria Especial dos Direitos Humanos) e Nilcéia Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) participam de debate sobre o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, dia 25/3, às 9h, no auditório “Paulo de Barros Carvalho” (antigo auditório 239, 2º andar, Prédio Novo). Na ocasião, será lançado o livro Luta, substantivo feminino: mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura. Promoção: professora Flávia Piovesan e equipe de Direitos Humanos da Faculdade de Direito.

Para começar a compreender o comportamento da imprensa

Algumas referências interessantes para observar o comportamento da imprensa, especialmente diante de uma campanha eleitoral.

CHAUI, M. Simulacro e poder: Uma análise da mídia. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006. 144p.

GUERIN, B. Behavior Analysis and Social Construction of Knowledge. American Psychologist, Washington, DC, v. 47, n.11, p. 1423-1432. November, 1992.

HALIMI, S. Os novos cães de guarda. Petrópolis: Editora Vozes, 1998, 152p.

LAITINEN, R.; RAKOS, R.F. Corporate control of media and propaganda: A behavior analysis. In P.A. Lamal (Org.), Cultural contingencies: Behavior analytic perspectives on cultural practices. p. 237-267. Westport, CT: Praeger. 1997.

McCombs, M. A Teoria da Agenda. Editora Vozes:Petrópolis

MULLAINATHAN, S.; SHLEIFER, A. The Market for News. Harvard Institute. 2003.  Disponível em < http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=485724>. Acesso dia 14.jun.2009.

SKINNER, B.F. Science and Human Behavior. New York: Appleton Century, 1953. 461p.

______  Verbal Behavior. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957. 478p.

______ Selection by consequences. In: Skinner, B.F. Upon Further Reflection. New Jersey. Prentice-Hall, 1987. p.51-63. 

______ The Evolution of Verbal Behavior. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, v. 45, p. 115-122. Jan., 1986. Disponível em <http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1348216&blobtype=pdf>. Acesso dia 14.jun.2009.

______ Questões recentes na análise comportamental. 5 ed. Campinas: Papirus, 2005. 193p. (obra publicada originalmente em 1989).

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