Curso de verão em análise do comportamento na PUC-SP

 

 

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Clique aqui para obter mais informações.

ABPMC rebate críticas do Sindiupes

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) contesta críticas do Sindiupes, entidade que representa professores da rede pública do Espírito Santo,contra o behaviorismo. Clique aqui para ler a carta da  presidente da ABPMC, professora Martha Hübner contra as críticas publicadas pelo Sindiupes no próprio site a respeito da abordagem analítico-comportamental.

P.S

O sindicato retirou as referências aos behaviorismo contidas no texto original. A versão atualizada do texto, sem essas referências, pode ser lida aqui. É um indício de que a Carta da ABPMC surtiu efeito. E rápido! Parabéns à professora Martha Hubner.

Tocando para divertir e mudar

Do projeto Tocando para mudar – som ao redor do mundo

O cantor afirma, mais ou menos numa tradução livre.

Não importa quem você seja

Não importa onde vá

Você precisa de alguém a seu lado.

Não importa quanto dinheiro você tenha ou quanta liberdade

Você precisa de alguém a seu lado.

****

Ou seja, sozinhos não vamos a lugar algum.

Experimentando tocar

Sobre as declarações preconceituosas de Caetano Veloso

Em entrevista a Sonia Racy publicada no Caderno 2 do Estado de São Paulo (5/1/2009) Caetano Veloso afirmou:

“Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem.”

O trecho aparece duas vezes no jornal, como se indicasse a intensidade da convicção de Caetano – ou da jornalista, que editou a entrevista – a respeito das críticas a Lula. No segundo momento em que o mesmo trecho aparece no jornal, foi precedido da seguinte frase de Caetano: “Pode botar ai”. É como se indicasse que não fora apenas uma declaração infeliz do artista.  E segue-se exatamente o mesmo trecho citado anteriormente.

Afirmações de Caetano não combinam com a história dele, com o ar de intelectual que ele parece exibir. Se ser intelectual é pensar desse jeito,  eu preferiria ser analfabeta. Principalmente se fosse uma “analfabeta” tipo Lula.  Mas para não ficar só no que penso, vamos a outras opiniões sobre a construção de conhecimento. Por que será que achamos que só obtemos conhecimentos por meio de canudos? Conhecimento, numa perspectiva analítico-comportamental, indica comportamento modelado pela relação direta do indivíduo com o ambiente físico ou modelado por um meio social (GUERIN, 1992). Em ambos os casos, conhecer é ser capaz de se comportar adequadamente, de forma verbal ou não verbal, em determinado contexto, com relação a determinados aspectos do mundo (SKINNER, 1957; GUERIN, 1992; TOURINHO, 2003).  Quantos alunos saem com diplomas de universidades prestigiosas e não são capaz de demonstrar conhecimento ou ser capaz de se comportar de acordo com a situação?

 Diz-se que uma criança se comporta de forma adequada diante, digamos, de um forno quente, quando, nessa situação, ela emitir comportamento adequado – não tocar o forno – ou quando for capaz de descrever a contingência de reforço –  afirmar, por exemplo, que tocar forno quente produz queimadura na pele. O estabelecimento desse comportamento pode ter ocorrido pela relação direta da criança com o ambiente – em dada ocasião ela tocou o forno quente e obteve como conseqüência uma estimulação aversiva típica. Nesse caso, afirma-se que a criança sabe como. A criança, porém, não terá de entrar em contato direto com o ambiente físico para saber que forno quente, em contato com a pele, produz estimulação aversiva particular. Ela pode chegar a esse mesmo conhecimento – saber que – pela instrução da comunidade verbal (GUERIN, 1992).

 Imaginemos, agora, quantas oportunidades o Lula tem tido de obter conhecimento seja pela relação direta dele com o ambiente físico – que faz com que ele saiba como é, por exemplo, o sertão nordestino ou Paris, e não apenas conheça esses locais pelo relato de outras pessoas – seja pelas relações sociais que ele, de modo particular porque escolheu a política como área de atuação, tem passado. É no mínimo ignorância – para não dizer preconceito – chamar o homem de analfabeto. 

Que Caetano critique o governo, certamente há muito que ser criticado. Mas que seja uma crítica honesta, baseada em fatos, e não apenas uma crítica que, como diria Claudio Lembo, remete apenas ao rancor da elite branca.

Cito um trecho de Pierre Lévy, autor que certamente não é desconhecido de Caetano Veloso. O trecho está no livro Inteligência Coletiva. Lévy afirma o seguinte (os grifos foram acrescentados):

“Competência, conhecimento e saber (que podem dizer respeito aos mesmo objetos) são três modos complementares do negócio cognitivo, e se transforma constantemente uns nos outros. Toda atividade, todo ato de comunicação, toda relação humana implica um aprendizado… Postulemos explícita, aberta e publicamente o aprendizado recíproco como mediação das relações entre os homens… As consequencias éticas dessa nova instituição da subjetividade são imensas: quem é o outro? É alguém que sabe. E que sabe as coisas que eu não sei. O outro não é mais um ser assustador, ameaçador: como eu, ele ignora bastante e domina alguns conhecimentos. Mas como nossas zonas de inexperiência não se justapõem ele representa uma fonte possível de enriquecimento de meus próprios saberes. Ele pode aumentar meu potencial de ser, e tanto mais quanto mais diferir de mim. Poderei associar minhas competências às suas, de tal modo que atuemos melhor juntos do que separados…Se os outros são fonte de conhecimento, a recíproca é imediata. Também eu, qualquer que seja minha provisória posição social, qualquer que seja a sentença que a instituição escolar tenha pronunciado a meu respeito, também sou para os outros uma oportunidade de aprendizado. Por meio de minha experiência de vida, de meu percurso profissional, de minhas práticas sociais e culturais, e dado que o saber é  co-extensivo à vida, ofereço recursos de conhecimento a uma comunidade.Mesmo que esteja desempregado, que não tenha dinheiro, não possua diploma, mesmo que more em um subúrbio, mesmo que não saiba ler, nem por isso sou ‘nulo’… Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade. Não existe nenhum reservatório de conhecimento transcendente… A luz do espírito brilha mesmo onde se tenta fazer crer que não existe inteligência: ‘fracasso escolar’, ‘execução simples’, ‘subdesenvolvimento’ etc. O juízo global de ignorância volta-se contra quem o pronuncia.

Atualizando

Caetano “esclarece” fala sobre Lula (Estadão, edição de hoje, 10/11/2009). Clique aqui.

Que falta nos faz Stanislaw Ponte Preta…

Aqui, leia artigo cortante de José Celso Martinez Corrêa sobre a polêmica envolvendo o tropicalista e o presidente.

Referências:

 GUERIN, B. Behavior Analysis and Social Construction of Knowledge. American Psychologist, Washington, DC, v. 47, n.11, p. 1423-1432. November, 1992.

Lévy, P. (1998).  A Inteligência Coletiva.  São Paulo, Edições Loyola.

Skinner, B.F. Verbal Behavior. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957. 478p

TOURINHO, E.Z. A produção de conhecimento em Psicologia: A Análise do Comportamento. Psicologia Ciência e profissão, v.23, n. 2, 30-41. 2003.

 

200 anos de Darwin

Especial da revista Nature sobre os 200 anos de nascimento de Charles Darvin. Clique aqui e confira.

E por falar em Darwin, transcrevo a seguir resenha de Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, sobre o livro The Greatest Show on Earth – The Evidence for Evolution, de  Richard Dawkins.

Para assinantes da FSP ou do UOL o link para o texto é o seguinte:

Dawkins caça-níqueis

Defensor mais ferrenho da teoria evolutiva usa pretexto de convencer criacionistas para explicar o darwinismo

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Depois de passar anos negando o Holocausto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, muda-se para Nova York e inaugura um instituto de estudos históricos. Mesmo que suas aulas não discutam a 2ª Guerra, quantos judeus se inscreveriam nelas?
Uma situação análoga a esse caso hipotético se aplica a Richard Dawkins e seu recém-lançado livro “The Greatest Show on Earth” (“O Maior Espetáculo da Terra”).
O biólogo britânico tem sido o mais célebre paladino do ateísmo e militante anticriacionista dos últimos anos. Sua obra anterior dedica-se a tentar provar que Deus não existe, tratando os religiosos como imbecis e imputando à ciência -e em particular à evolução darwinista- o papel de “força conscientizadora”.
Agora, Dawkins escreve este outro livro, cujo subtítulo é “As Evidências em Favor da Evolução”, para argumentar por que o darwinismo é um fato. Seu objetivo declarado é converter os “negadores da história”, como ele chama os criacionistas, à verdade da evolução, e municiar gente racional para argumentar contra o criacionismo.
Mas, como os judeus de Ahmadinejad, que criacionista compraria um livro que defende a evolução, ainda mais escrito por Richard Dawkins? Talvez o autor pudesse ir direto ao ponto e confessar que escreveu “The Greatest Show on Earth” só para tirar uma casquinha das efemérides darwinistas de 2009. Este ano, que marca o bicentenário de nascimento de Charles Darwin e os 150 anos de “A Origem das Espécies”, testemunhou uma explosão cambriana de títulos sobre evolução. Só faltava este.
Aos idiotas como eu, que caíram nesse conto-do-vigário, um consolo: o livro é excelente.
Já seria excelente se fosse só pela prosa sedutora de Dawkins, capaz de comparar o desenvolvimento embrionário a origamis e de deixar o leitor emocionado com a descrição de um celacanto. Mas Dawkins faz mais: ele carrega o leitor, não pela mão, mas no colo, por um passeio extremamente didático por 150 anos de evidências em favor do darwinismo.
E as evidências são tantas, vindas de tantas disciplinas científicas diferentes, que é fácil se perder no meio delas. “The Greatest Show on Earth” evita que isso aconteça.
Dawkins começa esclarecendo uma das principais confusões terminológicas em torno da evolução: a palavra “teoria”. A maneira como ele derruba essa pedra angular do criacionismo (“o darwinismo é só uma teoria”) é elegante: buscando a definição de “teoria” no dicionário e mostrando como ela se confunde com a definição de “fato”. O cientista usa o termo para fatos observáveis, como a “teoria” da evolução de Darwin e a “teoria” de que a Terra gira em volta do Sol.
Em seguida, dá início ao espetáculo propriamente dito. Ele recorre à mesma estratégia usada por Darwin na “Origem”: fala antes de plantas e animais domésticos e do poder da seleção humana de causar grandes mudanças em espécies (produzindo vegetais tão diferentes quanto brócoli e repolho a partir do mesmo ancestral selvagem) em pouco tempo.
Só depois de ter a certeza de que qualquer criança (ou criacionista) entenderia os conceitos apresentados é que o autor passa à seleção natural propriamente dita. Emulando Darwin mais uma vez, Dawkins desanda a falar de abelhas e orquídeas -às quais o pai da evolução dedicou um livro inteiro.
Fixado no leitor o essencial, Dawkins passa a desfiar seu estonteante conjunto de fatos evolutivos. Ao mesmo tempo, vai aplicando um “jab” após o outro nos principais argumentos do criacionismo e de sua nova roupagem, o design inteligente. Narra um minucioso experimento feito pelo microbiologista americano Richard Lenski para mostrar que a seleção natural pode introduzir informações novas no genoma (criar complexidade, algo que os devotos do design dizem ser impossível). Expõe uma miríade de fósseis para destruir a chicana retórica do “não há fósseis intermediários”.

Perguntas erradas
Mais do que responder às críticas dos criacionistas à evolução, Dawkins explica por que quase todas elas partem de perguntas erradas. É o caso de um diálogo imortal (e hilário) que ele reproduz entre uma criacionista e o evolucionista britânico J. B. S. Haldane. A mulher diz a Haldane que simplesmente não podia acreditar que, mesmo em bilhões de anos, se pudesse “ir de uma célula única a um complicado corpo humano”. Haldane retruca: “Mas, madame, a sra. mesma fez isso. E em apenas nove meses”.
Ao longo das mais de 400 páginas do livro, Dawkins faz mais do que ensinar evolução: ele inspira em seus leitores um encantamento pelo mundo natural que só pode ser plenamente saboreado por uma compreensão da biologia.
Idiotas que caiam nesse conto-do-vigário terminarão o livro agradecidos a Dawkins por compartilhar tal encantamento. E com uma imensa pena dos criacionistas, que jamais chegarão a apreender a grandeza dessa visão da vida.

LIVRO - “The Greatest Show on Earth – The Evidence for Evolution” (“O Maior Espetáculo da Terra – As Evidências em Favor da Evolução”)


de Richard Dawkins; Free Press, 470 págs., US$ 16
Avaliação: ótimo

Milagre é acreditar em milagre

Dos milagres    

 Mario Quintana

 O milagre não é dar vida ao corpo extinto,

Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo…

Nem mudar água pura em vinho tinto…

Milagre é acreditarem nisso tudo!

Seleção para mestrado e doutorado em Análise do Comportamento na PUC-SP

Estarão abertas as inscrições para o processo seletivo destinado ao mestrado e doutorado no Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento na PUC-SP. Podem se inscrever aos cursos de mestrado e doutorado respectivamente portadores de diplomas de cursos de graduação ou títulos de mestre reconhecidos pelo MEC.

São 15 vagas para o mestrado e 13 para o doutorado na área. A inscrição para ambos os cursos pode ser feita até o dia 13 de novembro de 2009. As provas serão realizadas no dia 16/11/2009.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail ancpto@pucsp.br, telefone (11) 3868-3099 ou no edital anexo.

 

Psicólogos promovem sessão de cinema para discutir autismo

O Núcleo Paradigma de Análise do comportamento promove no dia 10 de outubro a exibição do filme Um certo olhar, dirigido por Marc Evans.  Depois da sessão do filme, que começa às 14h30, segue-se um debate sobre autismo(tema tratado pelo filme) na perspectiva analítico-comportamental, coordenado pelas psicólogas Maria Carolina Martone e Cássia da Hora.

O ingresso para acesso ao evento é um quilo de alimento não-perecível. Os interessados devem se inscrever para a atividade por meio do site www.nuceloparadigma.com.br

Clique aqui para assistir ao trailer do filme

Paper apresentado no GP Cibercultura do Intercom 2009

Influências mútuas e diversidade na interação jornalista-leitor em um blog[1]

 

Maria A. de Lima Wang[2]

Maria Eliza Mazzilli Pereira[3]

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

 

RESUMO

Pesquisadores interessados em analisar a relação mídia-consumidor têm enfatizado a influência dos meios de comunicação sobre o público-alvo e acabam por perder de vista a influência do público sobre a mídia. Neste trabalho, apresentam-se dados de uma pesquisa realizada conforme a abordagem da análise do comportamento, em que se analisaram interações verbais em um blog jornalístico em busca de influências mútuas: do jornalista sobre os leitores e vice-versa, e de leitores entre si. Entre os resultados, encontraram-se indícios de influências mútuas entre os participantes do blog e de diversidade na forma como os participantes relataram um tema-alvo ao longo do tempo. Discute-se o papel de novas tecnologias, como a internet, para a diversidade do conhecimento produzido socialmente e para o possível contracontrole do público sobre a mídia.

 

PALAVRAS-CHAVE: Controle mútuo mídia-consumidor; análise do comportamento; comportamento verbal; internet; blog.

Clique aqui para baixar o paper na íntegra.


[1] Trabalho submetido ao GP Cibercultura, IX Encontro dos Grupos/Núcleos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

[2] Jornalista e doutoranda do Programa de Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (PUC-SP), e-mail: mariadelima@terra.com.br

[3] Doutora em Psicologia da Educação pela PUC-SP e professora associada do Programa de Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (PUC-SP), e-mail: memazizilli@pucsp.br

Freixa I Baqué contra o obscurantismo que assola a humanidade

UM EXEMPLO PARADIGMÁTICO DAS RELAÇÕES CONFLITUOSAS ENTRE CIÊNCIA E IDEOLOGIA: A RESISTÊNCIA AO BEHAVIORISMO NA FRANÇA

ESTEVE FREIXA I BAQUÉ

UNIVERSITÉ DE PICARDIE JULES VERNE, FRANÇA

RESUMO

Ciência e ideologia sempre mantiveram relações conflituosas, caracterizadas como interdependentes e interfecundantes (às vezes, de intercontaminação). A história da ciência é rica em exemplos desses diferentes tipos de relações. Esse século (XXI) nos oferece ainda um panorama amplo das vigorosas polêmicas e controvérsias, tal como o criacionismo versus o darwinismo, ou, o que é o foco desse artigo, a resistência na França em adotar um “novo” paradigma em psicologia: o comportamentalismo. No contexto de uma abordagem psicanalítica historicamente dominante, e com o apoio das posições anti-científicas geradas pelo medo, pela insegurança e pelo desamparo frente às tecnologias atuais, potentes e eficazes, em campos tão distintos como a física nuclear, a genética ou a embriologia, o behaviorismo inspira uma grande repulsa e produz uma forte resistência à sua adoção. Esse artigo explora alguns aspectos das oposições ideológicas ao behaviorismo em nossas latitudes.

***

Leia o artigo na íntegra clicando aqui.

Comportamento verbal na Web 2.0:diversidade e possibilidade de contracontrole

A seguinte apresentação foi feita numa mesa redonda da qual participaram também Ricardo Martone e Camila Silveira. Martone apresentou as diferenças entre saber que e saber como, discutidas por Guerin (1992). Camila  apresentou um modelo de uma pesquisa experimental que ela está desenvolvendo na PUC-SP sobre o controle  mídia-consumidor. Em minha apresentação procurei destacar possibildiades de contracontrole surgidas com a internet.

Apresentação na ABPMC 2009

Aqui, o resumo de minha apresentação cujo link está acima.

Desde os anos 90, pelo menos, analistas do comportamento têm realizado estudos em que utilizam como fonte relatos da mídia. Nesses estudos, em geral, os pesquisadores analisam o comportamento da mídia segundo dois pontos de vistas principais: 1) a mídia como agência de controle comportamental; 2) o papel da mídia na construção social do conhecimento. Levando-se em conta que, em sua proposta de estudo do comportamento verbal, Skinner destaca a importância de se considerar o comportamento do ouvinte para adequada compreensão do comportamento do falante e vice-versa, neste trabalho analisaram-se interações verbais em um blog jornalístico, em busca de possíveis controles mútuos entre os participantes: do jornalista sobre os leitores e vice-versa e de leitores entre si. Buscou-se verificar como os participantes do blog apresentariam um tema específico ao longo do tempo. Entre os resultados, encontraram-se indícios de influências mútuas entre os participantes do blog. E, diferente de dados da literatura da área, que relata a existência de uniformidade na forma como a mídia tradicional apresenta certas notícias, encontrou-se diversidade na forma como os participantes do blog relataram um tema-alvo. Discute-se o papel de novas tecnologias de informação e comunicação, como a Internet, para a construção social do conhecimento e para o possível contracontrole do leitor sobre a mídia. Discute-se, ainda, que, ao permitir a inclusão do consumidor no processo de produção da informação, tecnologias baseadas na Web reduzem delimitações entre as funções de produtor e consumidor de conhecimento produzido social, visto que esses personagens podem ocupar uma ou outra função quase simultaneamente, como se participassem de um típico episódio verbal vocal.

Arte da sabedoria mundana

Os conselhos que transcrevo a seguir, de Baltasar Gracián, foram escritos há mais de 300 anos. Mesmo assim continuam atuais como nunca. Confira!

Não se tornar íntimo demais dos outros, nem permitir que se tornem de você. Perderá a superioridade que a retidão lhe proporcionou, e com ela a reputação. Os astros não roçam em nós, e conservam o esplendor. A divindade exige dignidade, e a familiaridade cria o desdém. As coisas humanas, quando usadas ao máximo, são menos respeitadas, pois a comunicação revela os defeitos que a reserva ocultara. Não se torne íntimo demais de ninguém… Familiaridade rima com vulgaridade.

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Não ser o curinga. As coisas perfeitas sofrem abusos com facilidade. Quando todos cobiçam uma coisa, irritam-se facilmente com ela. É ruim ser bom para nada, mas pior é ser bom para tudo… Excedam-se na perfeição, mas modere-se ao mostrá-la. Quanto mais brilhante a tocha, mas ela se consome e menos dura. A fim de conquistar a verdadeira estima, faça-se raro.

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Não competir com quem não m tem nada a perder. A luta será desigual.

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Sem mentir, não contar toda a verdade.

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Não se entregar à primeira impressão.

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Não dar satisfação a quem não pediu.

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Não desprezar um infortúnio por ser pequeno, pois eles nuncam vêem sozinhos, mas sempre em cadeia, a exemplo da felicidade. Sorte e azar geralmente são atraídos por onde já se encontram, e não há quem não fuja dos azarados e  não se agarre aos felizardos.

Conheça esses e outros aforismos na íntegra no livro Arte da Sabedoria Mundana, Baltasar Gracián, Best Seller.

Curso sobre análise do comportamento e cultura

O Instituto de Análise do Comportamento de Curitiba promove no dia três de outubro de 2009 o curso Análise de Contingências de Fenômenos Culturais. O curso será ministrado pelo professor Alexandre Dittrich, doutor em Filosofia pela UFSCar e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pela professora Fernanda Magalhães, doutoranda em Psicologia Experimental: Análise do Comporto pela PUC-SP e pelo professor Hélder Gusso, doutorando em Psicologia pela UFSC.

 Informações sobre o curso podem ser obtidas pelo site http://www.iaccsul.com.br

Encontro Paranaense de Análise do Comportamento

Estão abertas as inscrições para o Encontro Paranaense de Análise do Comportamento, que será realizado entre 12 e 14 de novembro de 2009. O evento contará com a participação de grandes nomes da análise do comportamento do Brasil. Mais informações sobre o encontro podem ser obtidas no site http://www.epac.psc.br/

PUC promove evento sobre Darwin e teoria da evolução

Da Divisão de Comunicação Institucional da PUC-SP

Complexidade

Darwin, 150 anos de evolução

Dia 17/8, às 19h, o Núcleo de Estudos da Complexidade (Complexus, Pós em Ciências Sociais) promove o debate Darwin, 150 anos de evolução, no auditório 333 (3º andar, Prédio Novo). Participam do evento os professores Edgard de Assis Carvalho (Depto. Antropologia) e Mario Sergio Cortella (Depto. Fundamentos da Educação), o jornalista Marcelo Leite (Folha de S.Paulo) e os atores Carlos Palma e Oswaldo Mendes (Núcleo Arte e Ciência no Palco). Informações: (11) 3670-8517.

ABPMC divulga programação de seu 18º Encontro

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) acaba de divulgar a programação de seu 18º Encontro anual, a realizar entre os dias 24 e 26 de agosto de 2009 em Campinas-SP. Clique aqui para ter acesso aos resumos das atividades a ser realizadas durante os três dias do evento.

Funções da escola que a escola não deveria ter

Comentário de uma amiga, no MSN, sobre o término de um trabalho de pós-graduação:

“Acabei. Agora retomo a vida!”.

Não é estranho que a escola e atividades relativas à vida acadêmica se tornem desagrdáveis a esse ponto? Skinner (1968)  discute esse fenômeno.

Por que a escola – e as atividades a ela relacionadas – se tornou um lugar (ou objeto) que nos leva a trabalhar para dela/dele nos afastar? Skinner responde a questões como essa em  The technology of teaching. New York: Appleton-Century-Crofts.

O livro foi traduzido para português pela Herder, em 1972, e reimpresso pela E.P.U, em 1975,  como Tecnologia do Ensino.

O autor apresenta nessa obra uma proposta para que a escola, de fato, seja um lugar de gente feliz (como muitas escolas ousam prometer, mas poucas consegem cumprir, se é que conseguem).

Para conhecer a bibliografia de B. F. Skinner clique aqui.

Reflexões de um pesquisador

O médico e pesquisador Isaias Raw, de 82 anos, diretor presidente da Fundação Instituto Butantan,  ao refletir sobre a própria trajetória profissional, afirma que:

  •  Aos 21 anos já era pesquisador. Não havia quem o ensinasse, então teve de aprender a aprender.
  • Considera que o mais difícil numa pesquisa é formular uma pergunta. “Nisso o professor pode ajudar”, diz, “mas acho que o que se ganha com orientação perde-se em criatividade”.
  •  Os alunos deveriam entrar na universidade já por dentro do método científico, para que pudessem ser mais críticos e soubessem observar e tirar conclusões.

Raw lamenta que que muitos doutores estejam desempregados ou com subemprego. “A universidade não tem renovação e indústria não tem doutores. Ela prefere comprar pacote pronto”, diz o pesquisador, acrescentando que nos Estados Unidos até há espaço para doutores na indústria, mas no Brasil “os empresários são mais primitivos e compram a pesquisa”, diz.

Trechos retirados de Coisas que eu queria saber aos 21, caderno .Edu, do jornal O Estado de São Paulo, 28 de julho.

Mude, experimente!

“Nenhum modo de vida é inevitável. Examine o seu próprio de perto. Se você não gosta dele, mude-o (…) Não considere nenhuma prática como inevitável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente”. (Skinner, 1972/1948, p.2)

 

Os lunáticos de Sobral e outros destaques do Estadão

Belo relato o de Ivan Marsiglia no caderno Aliás, do Estadão de hoje, 26/7/2009. O repórter conta como há 90 anos, durante um eclipse em Sobral-CE, um grupo de cientistas fortalecia a teoria da relatividade do jovem Albert Einstein. O relato ficou particulamente atrativo com as ilustrações da versão impressa do jornal. Para quem não tem acesso ao jornal impresso, aqui vai o link para o texto publicado no portal do Estadão.

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Em outra reportagem da edição de hoje do Estadão, “O andarilho do centro”, de Edison Veiga, um exemplo de que iniciativas simples, como a relatada pelo repórter, podem contribuir de forma marcante com a valorização do patrimônio histórico das cidades.

Quem sabe a iniciativa de Carlos Beutel – de promover regularmente passeios pelo centro de São Paulo – não venha a inspirar personal trainers a fazer algo semelhante com seus clientes? Eu gostaria de fazer um exercício como esse.

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Em “Reféns da palavra”, Veríssmo mostra como tinha razão o poeta Muriel Rukeyser que afirmou que  “o universo é feito de histórias [escritas, Veríssimo acrescentaria], não de átomos”.

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O filósofo Renato Janine Ribeiro, numa resenha sobre o livro de Eugênio Bucci, “A imprensa e o dever da liberdade”, questiona: se a imprensa é o quarto poder e seria “mais eficiente que o Judiciário e o  Legislativo em conter abusos do poder Executivo”, sob controle de quem está a  imprensa? Não vale dizer que está sob controle dos leitores, embora isso em parte seja verdade.

Para Ignácio Ramonet a resposta é simples: está sob controle dos grandes capitalistas. E estes não necessariamente estão a favor da informação.