Glenn, 2004, p. 133
Na introdução do artigo Individual Behavior, Culture and Social Change, Glenn (2004) descreve duas características humanas básicas necessárias para a emergência e evolução de uma cultura: sociabilidade e capacidade de aprendizagem. São pré-requisitos para o terceiro elemento-chave na definição de cultura: transmissão cultural. Nos dois primeiros parágrafos, Glenn (2004) caracteriza os elementos centrais na emergência e evolução de uma cultura.
Comportamento aprendido constitui a infraestrutura das culturas humanas e a transmissão dos comportamentos aprendidos sustenta a evolução de culturas humanas. Comportamentos humanos produzem mudanças cumulativas em ambientes humanos, e mudanças ambientais contínuas exigem adaptações comportamentais contínuas. Adaptações bem-sucedidas podem inserir-se, absorverem-se em práticas culturais e serem transmitidas a gerações futuras.”. (p.131)
Neste parágrafo, Glenn (2004) mostra como as relações envolvidas na evolução de uma cultura vão se tornando cada vez mais complexas:
Culturas cada vez mais complexas têm emergido da interação entre capacidade humana para aprendizagem, contingências de reforçamento que explicam comportamentos aprendidos e a transmissão cultural de comportamentos aprendidos – tudo isso em ambientes locais e contextos formativos com características físicas. Ao longo de um período de pouco mais de 10 mil anos, culturas humanas têm evoluído passando de pequenos grupos de caçadores-coletores, presumivelmente mostrando um ao outro como produzir fogo e fabricar ferramentas simples, a grandes estados-nações, nos quais dezenas de pessoas participam da fabricação de roupas, vendidas como marca X, ou da criação de leis sob as quais vivem milhões de pessoas. Exigem-se agora décadas de educação, formal e informal, para desenvolver e manter repertórios comportamentais necessários para fazer parte da vasta teia de comportamentos humanos inter-relacionados que constituem as culturas modernas.(p. 133)
E no terceiro parágrafo da introdução do artigo, Glenn introduz a discussão sobre a importância do planejamento cultural:
A maior parte das características de culturas modernas não foi planejada. Ao contrário disso, elas simplesmente emergem como resultado de contingências que dão suporte à seleção de comportamentos de indivíduos. Planejamentos sistemáticos parecem começar quando práticas culturais têm resultados, indesejáveis, imprevisíveis, tardiamente reconhecidos com subótimo. Primeiro são identificados resultados não intencionais culturalmente danosos referentes a comportamentos humanos em vigor; a seguir, lamentam-se esses resultados e, às vezes, lida-se com eles. Mas é possível enfrentar esses resultados rápido o suficiente para garantir a sobrevivência? (Glenn, 2004, pp. 133-134)
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