Lição de casa

Hoje, o Victor veio com uma lição de casa composta por algumas figuras e com a instrução de que escrevesse, nos números correspondentes a cada figura, o nome dessa figura. Podia escrever do jeito dele. O menino tem cinco anos, ainda está aprendendo o abecedário.

As figuras eram:

Formiga

Borboleta

Cavalo

Tatu

Árvore

E outra que não me lembro.

Eram todas palavras com mais de duas sílabas.

Ele disse que a professora havia comentado que a lição era difícil mesmo, porque eles – os alunos da classe, todos em torno de cinco anos – estão crescendo, portanto, precisam experimentar tarefas mais difíceis.

Fiquei angustiada ao ver o menino diante de uma tarefa difícil sem que ele tenha os repertórios necessários para executá-la. Pensei que poderia ditar as palavras, mas, aparentemente, não era esse o objetivo da tarefa. Tentei ajudar, pronunciado cada sílaba pausadamente, mas não funcionou. Mas ele claramente ainda não aprendeu a diferenciar o som de cada sílaba. Decidi deixá-lo fazer como bem entendesse, embora sempre fique frustrada com esse tipo de lição.

Não sei em que pedagogia a escola se baseia para adotar tarefas difíceis como essa. Só sei que na análise do comportamento há diversas pesquisas que mostram que o erro provoca conseqüências desastrosas para a aprendizagem. Diante de um erro, em geral, diminuem as probabilidades de que a criança volte a se envolver “espontaneamente” em atividades semelhantes no futuro. Por que será que o processo de aprendizagem haveria de ser sofrido? Não é por acaso que tantas pessoas desistem da escola.

 

Seja lá qual for o método em que a escola do meu filho está se baseando para aplicar lições para as crianças como essa, esse método opõe-se radicalmente à proposta de Skinner para educação, descrita em seu livro Tecnologia do Ensino (1968/1972). Skinner propõe que cada tarefa seja planejada de forma individualizada, garantindo que a criança acerte o máximo possível, e tenha um feedback sobre seus acertos de forma imediata. Com isso, o aprender tornar-se reforçador ou pelo menos não se torna aversivo. Não saber é muito desagradável.

Se para nós, adultos, certos erros fazem com que abandonemos totalmente certos projetos, imagine para uma criança em idade pré-escolar, cujos repertórios acadêmicos básicos ainda estão sendo instalados?

 

 

 

Putto with Screw Printing Press, Alphabet, & Cornucopia (Washington, DC)

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