Perigos do controle aversivo

Gostaria de indicar aqui neste espaço um livro que deveria ser obra de cabeceira para mães, pais, professores, legisladores e todas as pessoas com poder de controle sobre o outro. Trata-se de Coerção e suas implicações, de Murray Sidman (Editora Livro Pleno, http://www.editoralivropleno.com.br.

 Ante de entrar na discussão de Sidman sobre controle aversivo, relembremos uma citação de Skinner, em um post anterior: “O que é o Amor se não outro nome para reforçamento positivo?”

Em nossas interações sociais, talvez seja impossível chagarmos ao nível de Sidman ou de Skinner. Mas pelo menos saberemos que existe um modelo: este modelo é amplamente descrito por Sidman em Coerção e suas implicações e por Skinner em várias de suas obras. Lembremos também de uma citação de Lula, a qual está totalmente de acordo com os achados da análise experimental do comportamento:

 “Se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo”.

 A seguir, alguns trechos de Coerção e suas implicações (do inglês Coercion and its fallout). Às vezes, as citações aparecem na íntegra, às vezes, parafraseadas e às vezes, ainda, com alguns comentários ou grifos meus.  

Coerção e futuro da espécie Eu escrevi este livro para dizer algumas coisas que há muito pensava que precisavam ser ditas, não apenas para colegas profissionais mas para todas as pessoas que estão preocupadas com nosso futuro como espécie. Aqui, um indício de quão grave é o problema da coerção ou do controle por meios aversivos.

Que acontece à conduta que é punida?

Os dados de laboratório sustentam fortemente a posição de que a punição, embora claramente efetiva no controle do comportamento, tem séria desvantagens, e que nós precisamos desesperadamente de alternativas.

Que é coerção Por coerção eu me refiro a nosso uso da punição e da ameaça da punição para conseguir que os outros sejam como nós gostaríamos e à nossa prática de recompensar pessoas deixando-as escapar de nossas punições e ameaças. Precisamos saber mais sobre coerção porque é como a maioria das pessoas tenta controlar uns aos outros: “Torça-o até que ele faça certo”, ou  “Dê-lhe um doce, mas se ele não fizer o que você quer, tire-o”.

 Aplicação de punição produz pessoas punitivas Já devemos ter ouvido o ditado: “O uso do cachimbo faz a boca torta. Veja o que afirma Sidman a esse respeito:

 O uso bem-sucedido de um aguilhão de gado [ferramenta para marcar gado] produzirá mais uso e ninguém, nem mesmo o terapeuta, saberá se ele ou ela está usando choque porque nada mais funcionará ou porque isto funcionou antes em circunstancias que podem bem ter sido diferentes. Terapia coercitiva produz terapeutas coercitivos.

 Que quer dizer comporte-se O significado comum de “comporte-se” é “faça o que eu quero que você faça”. Coação, punição – ameaça de punição ou perda ou verbalizações sobre o que temos de fazer para fugir de, ou evitar punição ou perda – é a técnica predominante para nos levar a “comportarmo-nos”.

 A comunidade hostil Desde a escola primária e durante todo o caminho, passando pelo colegial, professores preocupam-se mais com técnicas coercitivas para manter a disciplina do que com métodos efetivos de instrução. A coerção social é aceita como natural.

Punimos crianças e criminosos na esperança de impedir repetições de condutas inaceitáveis.

Embora pessoas influenciem uma às outras de muitas maneiras, elas recorrem mais rapidamente a meio coercitivos para produzir resultados do que a outros meios.

 Por que punimos/ O que queremos obter? A principal razão é controlar outras pessoas. Punimos as pessoas baseados na crença de que as levaremos a agir diferentemente. Em geral, queremos parar ou evitar ações particulares. Queremos colocar um fim à conduta indesejável. Algumas vezes punimos usando a remoção de reforçadores positivos [Por exemplo, colocar a criança de castigo por dois minutos. Em um ambiente isolado, privamos a criança de um ambiente social em que estariam disponíveis reforçadores].

Que dizem as pesquisas Os dados de laboratório sustentam fortemente a posição de que a punição, embora claramente efetiva no controle do comportamento, tem sérias desvantagens, e que nós precisamos desesperadamente de alternativas.

De que mais trata o livro Este livro fala também sobre o predomínio da coerção em nossas vidas, descreve os efeitos colaterais desastrosos da coerção e, até mesmo, alerta sobre a catástrofe, se fracassarmos na eliminação ou redução de nossas práticas coercitivas; o livro em si mesmo pode ser considerado, tecnicamente, um exemplo de coerção. Entretanto, ele não é apenas ameaça. Ele também fornece princípios norteadores – em alguns casos cursos específicos de ação – que nos permitiriam aplicar técnicas não-coercitivas em vez de recorrer às “soluções” de coerção quando quiséssemos ou tivéssemos de influenciar os outros. Porque muito freqüentemente coagimos uns aos outros, muitos de nós consideramos a punição como ponto pacífico: não reconhecemos o imenso papel que ela desempenha em nossas interações.

  

 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

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