Alguns efeitos do controle aversivo

Minha sogra pegou um livro em uma biblioteca chinesa, cujo título é Rato desafortunado morre mais cedo (Unfortuned mice die earlier). De forma genérica, o autor mostra as conseqüências drásticas que é ensinar a alguém se comportar de determinada maneira por meio do uso da punição. Vou transcrever o primeiro experimento – é possível que o experimento relatado pelo autor tenha sido feito por uma analista do comportamento, mas como ele não apresenta as referências, fico sem saber qual a fonte em que ele se baseou. De qualquer forma, vamos ao experimento.

O experimentador lidou com cachorros. Separou os cachorros numa caixa experimental, eletrificada, em três grupos

1º grupo os cachorros levavam choque mas se tocasse o focinho em um botão, desligava o choque. Esses cachorros aprenderam a escapar dos choques apertando o botão.

2º grupo Não havia choque: o cachorro podia fazer o que bem entendesse.

3º grupo O cachorros levavam choque independente do que fizesse.

No segundo experimento com esses cachorros, eles foram colocados em uma caixa experimental com dois ambientes: de um lado da caixa foram planejada a continência de choque; do outro lado da caixa, não havia a liberação de choque. O pesquisador, imagino eu, queira saber como se comportava os grupos de cachorro com diferentes histórias comportamentais.

O 1º grupo – que havia aprendido como se esquivar dos choques rapidamente aprendeu a pular a cerca para um local seguro.

O 2º grupo também aprendeu a pular a cerca para se esquivar dos choques. O terceiro grupo se mantinha levando choque embora houvesse a possibilidade de pular a cerca e ficar em um local seguro.

 

O livro continua a descrever experimentos, notadamente com ratos, tanto que são os ratos são os personagens principais da história. Mas como dependeo do marido para traduzir, voltou a falar dos experimentos com ratos.

No trecho com experimentos com cachorros gostaria de discutir alguns aspectos principais. O primeiro é chamar a atenção para os efeitos do controle aversivo – controle aversivo limita o potencial dos organismos – seja cachorro, rato, pombo, macaco, homem. Em segundo lugar, se houver forma de escapar do controle aversivo, o animal vai escapar a depender da história anterior dele.

O comportamento de esquiva, ou seja, a ação do organismo para escapar do choque ou quaisquer eventos desagradáveis – não será, necessariamente, “mais adequada” do ponto de vista social do que o comportamento foi punido com choque.

Em terceiro lugar, o conceito de choque pode variar de indivíduo para indivíduo. No caso de criança, o grito de uma mãe pode não ter efeito de choque para um dos  filhos. Para outro filho o mesmo grito pode ser um choque.

 

Antes de controlar seu filho de forma aversiva pense em que tipo de ser humano você gostaria que seu filho fosse. Se quiser conhecer alternativas ao controle aversivo, leia Murray Sidman, citado no post anterior.

 

 

2 comentários sobre “Alguns efeitos do controle aversivo

  1. Maria…li todo o seu artigo. De difícil entendimento para um leigo diga-se de passagem!! Fico me perguntando como devo elucidar a babá dos meus filhos sobre o assunto que parece-me tão importante da criação e desenvolvimento de nossas crianças! Difícil buscar em nosso repertório alternativas para a punição dos nossos muitas vezes “levados” filhos. Depois de conversar sobre este assunto em um grupo de amigos resolvi colocar um papel da geladeira com uma espécie de ranking para o meu filho. Alguns critérios definem se ele ganhará pontos naquela tabela que resultará em um presente ao final da semana: se comeu ou não; se comportou; se escovou os dentes; se não brigou com a irmã. Iso tem gerado comportamento positivo nele na busca do presente! Será que isso é reforçar o comportamento positivo???!! Dúvidas mil de um mãe inexperiente!

  2. Helga, você está fazendo o menino trabalhar para ganhar alguma coisa, em vez de retirar algo dele. É uma boa estratégia. È importante também ficar atenta a comportamentos que ele emite, que estão de acordo com os comportamentos socialmente aceitáveis – fazer a lição, brincar com a irmã etc – e oferecer uma conseqüência positiva para ele no momento em que o comportamento ocorre. No entanto, muito frequentemente damos atenção e outras conseqüências que podem fortalecer comportamentos justamente que gostaríamos que fossem extintos. Somos humanos e o comportamento inadequado nos afeta mais do que o adequado. Mas tente ler Sidman. Ele apresenta alternativas ao controle por métodos aversivos.
    Abraço

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