Papel das instituições de ensino na evasão de aluno

 Evasão universitária é problema crônico no Brasil. Sabendo disso, as instituições de ensino superior, em vez de tentar descobrir as causas do problema, superlotam suas classes, contando que até o fim do curso mais da metade dos inscritos terão desistido. As explicações para o fenômeno quase sempre recaem sobre os alunos. Diz-se que são eles que são desinteressados, estão ali para cumprir metas da família, ou para atender exigências profissionais, ou seja, a aprendizagem é o que menos importa. Se essa é a visão que o professor tem de seus alunos, daí para este fingir que ensina e aqueles fingirem que aprendem é um passo.

O cenário poderia ser diferente se as instituições de ensino se dedicassem a pesquisar as reais causas da desistência de seus alunos. Isso implicaria olhar para os próprios processos.

Não quer dizer que o histórico dos alunos não tenha importância no processo de evasão, mas as instituição não podem contemplar o fenômeno como se elas não tivessem nada a ver com a história. Não é responsabilizando o aluno que descobrirão as causas da desistência.

Imaginemos um estudante que acaba de entrar em uma universidade privada, numa classe em torno de 100 alunos. É alta a possibilidade de ele entrar e sair da classe quase sem ser notado, seja pelo professor ou pelos próprios colegas. Qual a graça de fazer parte de um grupo e não ter voz, não participar? Ser um anônimo? Não podemos esperar que o processo de aprendizagem em um cenário suposto como esse seja agradável. É provável que, se houver possibilidade de escapar, o aluno escape.

Que faz com que estudantes desistam da escola? Muito possivelmente é um conjunto de fatores, como lembram Skinner (1968/1972) e Sidman (1989/2003), mas se esses fatores puderem ser revelados, talvez seja possível intervir para amenizar o problema. Para contribuir com a discussão do tema, recorro a um trecho do livro Ciência e Comportamento Humano, de B.F. Skinner, publicado originalmente em 1953. Os grifos no texto foram acrescentados. Skinner escreveu:

 

A ciência não só descreve, ela prevê. Trata não só do passado, mas também do futuro. Nem é previsão sua última palavra: desde que as condições relevantes possam ser alteradas, ou de algum modo controladas, o futuro pode ser manipulado. Se vamos usar o método da ciência no campo dos assuntos humanos, devemos pressupor que o comportamento é ordenado e determinado. Devemos esperar descobrir que o que o homem faz é resultado de condições que podem ser especificadas e que, uma vez determinadas, poderemos antecipar e até certo ponto determinar ações. (p.7)

 

 Referências:

Skinner, B. F. (1953/2003). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes.

Skinner, B. F. (1968/1972). Tecnologia do Ensino. São Paulo: EPU.

Sidman, M. (1989/2003). Coerção e suas implicações. Campinas: Editora Livro Plano.

 

 

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