Política e religião, segundo Mino Carta

O Blgo do Mino Carta é fonte de oxigênio em meio ao entorpecimento da chamada grande imprensa. Vejam quanta lucidez em dois posts em que trata de política e religião. Concordo completamente com a descrição que faz de Cristo.

terça, 28 de outubro de 2008 às 13:02

Cristo e a igreja

 

Quando a gente fala de Cristo, tem de recorrer, em primeiro lugar, à imaginação. Parece-me claro, em todo caso, que na figura se condensam novas idéias para contestar o poder, ao pregarem uma igualdade até então impensável. Como tudo nesse enredo historicamente falho, a porta fica escancarada para as versões e as interpretações. Não vejo Pilates como é contado pelos Evangelhos, tampouco dou muito crédito aos próprios em geral. As páginas dos evangelistas fazem parte da retórica hagiográfica e, deste ponto de vista, chegam a ser pueris. Muito próximas dos contos de fadas, com exceção de raras passagens que relatam, por exemplo, os momentos de desconforto de Cristo, ou a defesa da adúltera, ou a expulsão dos mercadores do templo. Derradeiro esclarecimento: falo da Igreja Católica como poder temporal porque é aquela mais próxima da minha vida, por uma série interminável de motivos. Sei, porém, que as demais não brincam em serviço.

segunda, 27 de outubro de 2008 às 18:48

Religião e Política

Sei que falar de religião é perigoso. Mais perigoso, por exemplo, do que afirmar que um torneiro mecânico pode ser presidente da República e sair-se melhor do que o príncipe dos sociólogos. De minha parte, rejeito os dogmas de qualquer espécie. Respeito a fé, mantenho desperto, porém, meu espírito crítico. Embora recorde com saudade e enlevo as Marcelinas antifascistas da minha infância, não engulo a hipocrisia e as prepotências da igreja. Em relação a Cristo, faltam-nos, infelizmente, informações historicamente satisfatórias, mas a figura é grandiosa e não me parece difícil enxergar um revolucionário, mártir da igualdade. Subversivo na acepção mais ampla e profunda, vinha, a condensar o pensamento rebelde soprado do oriente e aportado enfim às margens do Mediterrâneo, para proclamar o significado da vida e a importância do ser humano, no singular e no plural. O verbo de Cristo abala os equilíbrios de então e a própria concepção do Império, e os romanos o crucificam, com a transparente e obsequiosa aprovação dos senhores do lugar, eles próprios a se sentirem ameaçados. Pilatus não é, creio eu, a personagem olímpica que lava as mãos, ele é o mandante. Ninguém está mais distante da igreja católica, da imponente instituição, do que Cristo. Julgado por um Belarmino, em lugar da cruz teria de enfrentar o fogo da pira. Agora, um esclarecimento: sim, meu lado itálico pulsa de anticlericalismo, por razões estritamente históricas e políticas. Foi a igreja, a exercer até limites extremos e hediondos seus poderes temporais em nome de Deus e de Cristo, o primeiro e mais forte impedimento para a unificação da Itália, qual fosse esta uma questão espiritual. E foi a igreja, e continua a ser, interferência determinante na vida italiana, sempre e sempre daninha de todos os pontos de vista. A história dos países católicos europeus, da Espanha sobretudo, não é muito diferente.

Clique aqui para visitar o blog do Mino.

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