Comportamento verbal na política

Como parte de minhas atividades de revisão da literatura para meu projeto de doutorado, estou lendo Verbal Behavior and politics (1976), de Doris Graber (University of Illinois Press), pesquisadora emérita do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Illinois (EUA). Embora não dê merecido destaque à obra Comportamento Verbal (Verbal Behavior, Skinner,1957), Graber parece concordar com Skinner em vários aspectos da discussão apresentada pelo autor. A começar deu o título verbal behavior, termo cunhado por Skinner, para o próprio livro.

No prefácio de Verbal Behavior and Politics, Graber afirma que a compreensão do comportamento verbal no cenário político envolve descrever: 1) a função do comportamento verbal no comportamento de políticos; 2) a maneira como tal função é desempenhada em várias circunstâncias; 3) e as consequências do comportamento.

O livro foi separado em quatro partes principais. Em primeiro lugar, a autora analisou o que classificou como dilemas encontrados por comunicadores políticos quando têm de decidir sobre mensagens cujo objetivo é evocar certas respostas no leitor. (Porque, como diz Skinner, reforço no comportamento verbal não é inevitável).

Em segundo lugar, a autora analisa o efeito de mensagens políticas na construção de conhecimento na área.  De forma genérica, conclui que essa é uma tarefa desafiadora. Muito comportamento verbal encera-se em si mesmo: não tem correlção com comportamentos não-verbais descrito pelo comportamento verbal. Muito cenários políticos reúnem estímulos verbais e não-verbais e tornam difícil a tarefa de identificar o efeito de estímulos isolados.

A autora dedicou a terceira parte do livro para defender que, embora seja uma tarefa árdua, é possível fazer inferências válidas com base no comportamento verbal ou no produto do comportamento verbal, a exemplo do que afirma Skinner (1957). 

Na quarta parte do livro, Graber descreve formas de analisar e medir comportamento verbal (sempre baseando-se na literatura produzida pela área). Acredita que a tecnologia pode ajudar a aperfeiçoar os atuais (da época) métodos usados por pesquisadores da área.

Graber faz uma ampla revisão da literatura da área, incluindo até um capítulo que chamou de Ensaio bibliográfico sobre o tema.  No fim do livro, antes do ensaio bibliográfico, Graber afirma, como se fizesse um apelo semelhante ao de Skinner (1957) – embora não faça referências explícitas a ele –  que devemos dar atenção a produção de estímulos verbais e às respostas a esses estímulos (ela fala sobre consequencias em outras parte do livro). Conclui essa passagem afirmando que “essa é uma área [comportamento verbal] em que teorias já desenvolvidas em situação de laboratório estão esperando para ser testadas em campo”.

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