Reflexão sobre a ciência do comportamento em Skinner (1953)

Verificação de leitura (VL) referente ao curso CIÊNCIA E COMPORTAMENTO HUMANO: UMA LEITURA CRÍTICA, que fiz em 2009 como “atividade especial do doutorado).

1. Considerando o que discutimos sobre a primeira parte de CCH (a possibilidade de uma ciência do comportamento humano), apresente dois aspectos que marcam a concepção de Skinner sobre a produção de conhecimento científico.

A concepção do autor sobre o tema baseia-se no suposto de que a produção de conhecimento não pode ser dissociada da aplicação desse conhecimento, embora algumas das afirmações de Skinner, no início do livro, possam sugerir que ele defenda posição contrária, quando afirma, por exemplo: “talvez não seja a ciência que está errada, mas sua aplicação” (p.5).  Pouco á frente, porém, fica clara sua posição de que não se pode separar uma coisa da outra, como indica a passagem em que afirma que “teorias afetam a prática. Uma concepção científica do comportamento humano dita uma prática, a doutrina da liberdade pessoal, outra. Confusão na teoria significa confusão na prática” (p. 10).

Outro aspecto importante na concepção do autor sobre a produção de conhecimento científico diz respeito à forma como Skinner refere-se ao próprio objeto de estudo. Estudar comportamento – ou produzir conhecimento sobre comportamento – exige tomar o comportamento como objeto de estudo, em vez de se apelar para processos intrínsecos ao organismo como explicação comportamental. Para o autor, o problema em buscar explicações comportamentais dentro do organismo é que obscurece variáveis das quais o comportamento é função. Logo, poderíamos acrescentar, torna difícil – ou até mesmo inviável – o avanço da ciência porque como afirma Skinner, “não se podem aplicar os métodos da ciência em assunto que se presume ditado pelo capricho”. (p.7)

Produzir conhecimento científico, para Skinner, é uma tentativa de descobrir ordem, uniformidade e demonstrar que certos fenômenos estão mutuamente correlacionados. “É uma disposição de tratar com fatos, de preferência, e não com o que se possa ter dito sobre eles” (p.12). Mas não só isso: para Skinner a ciência não é mera contemplação, ou seja, a função de uma disciplina científica não termina com a descrição do fenômeno estudado. Para Skinner, depois de se encontrar as leis que explicam a ocorrência de certos processos comportamentais, cabe à ciência prever e controlar a ocorrência de tal fenômeno no futuro. Nas palavras do autor: “A ciência não só descreve, ela prevê. Trata não só do passado, mas do futuro. Nem é previsão sua última palavra: desde que as condições relevantes possam ser alteradas, ou de algum modo controladas, o futuro pode ser manipulado”.  (p.7)

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