Emoção e comportamento

Skinner, em Ciência e comportamento humano, rejeita que emoção seja causa do comportamento. Inicia o capítulo sobre o tema afirmando: “As ‘emoções’ são excelentes exemplos das causas fictícias às quais comumente atribuímos o comportamento” (Skinner, 1953/2003, p.175).

Rejeita teorias que tentam explicar eventos emocionais com base em mudanças fisiológicas. A esse respeito, Skinner argumenta que certas mudanças fisiológicas comumente presentes diante de fenômenos ditos emocionais podem ocorrer em outras circunstâncias e com fenômenos que não seriam classificados como emocionais. Segundo Skinner:

 A despeito de extensiva investigação, não foi possível demonstrar que cada emoção se distinga por um padrão particular de respostas de glândula e músculos lisos. Embora haja alguns padrões característicos dessas respostas, as diferenças entre as emoções com freqüência não são grandes e não seguem as distinções usuais. Nem servem para diagnósticos de emoção em geral, pois ocorrem também sob outras circunstâncias – por exemplo, depois de um exercício pesado ou de uma lufada de frio. (p.176-177).

Emoção, para Skinner, não é uma coisa. “Assim como o organismo faminto pode ser explicado sem muita dificuldade, ainda que “fome” não seja um objeto, também pela descrição do comportamento como amedrontado, afetuoso, tímido, e assim por diante, não somos levados a procurar coisas chamadas emoções.

Fenômenos chamados emocionais descrevem relações entre certas operações ambientais e certas mudanças no organismo, que podem ser de origem respondente e operante. Uma operação emocional produz dois efeitos: (1) elicia respondentes; (2) criar certas predisposições; (3) essas predisposições alteram a probabilidade do responder, porque estabelece o valor do reforço. Skinner esclarece o entrelaçamento de contingências envolvendo filogênese e ontogênese da seguinte forma:

As respostas que variam juntas em uma emoção o fazem em parte por causa da conseqüência comum. As respostas que aumentam de força na raiva infligem dano em pessoas ou objetos. Esse processo muitas vezes é biologicamente útil quando o organismo compete com outros organismos ou luta com o mundo inanimado. Assim o agrupamento das respostas que definem a raiva depende em parte do condicionamento. O comportamento que inflige dano é reforçado durante a cólera e subsequentemente será controlado pelas condições que controlam a raiva (…) Entretanto, parte do comportamento acarretado por uma emoção é aparentemente incondicionado, e neste caso o agrupamento deve ser explicado em termos de consequências evolutivas.  (Skinner, 1953/2003, p.179)

Para Skinner, emoção pode ser definida como “estado particular de alta ou baixa freqüência de uma ou mais respostas induzidas por qualquer uma dentre uma classe de operações” (p.182). No seguinte trecho, Skinner esclarece a noção de predisposição e probabilidade na emoção: “…O homem encolerizado, como o homem faminto, mostra uma disposição para agir de certa maneira. Pode nunca chegar a agir daquela maneira, mas, não obstante, podemos lidar com a probabilidade de o fará” (p.185).

Emoções podem ser descritas conforme a extensão e direção de seus efeitos sobre o organismo.

Quanto à extensão das mudanças, poderá envolver:

O repertório total do organismo numa determinada direção – Skinner cita como exemplo alegria e tristeza.

  • O repertório total de forma específica (medo e da zanga);
  • Subdivisões do repertório (embaraço, simpatia e divertimento).

O livro Ciência e comportamento humano está disponível integralmente na internet em sua versão em inglês. Para acessar esta versão clique aqui.

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