Experimento como filosofia de trabalho

No artigo The aim, progress, and evolution of behavior analysis, Edward Morris discute três das principais contribuições de B. F. Skinner para a Análise do comportamento. Essas três contribuições são: (1) previsão e controle do comportamento; (2) a proposição da contingência de três termos como unidade básica para análise do comportamento; (3) e a proposição do behaviorismo radical como filosofia de ciência. O artigo tem mais 20 páginas. É difícil tratá-lo adequadamente em um post – com o termo “é difícil” quero dizer que preparar uma síntese adequada do referido texto exigiria bastante elaboração e, claro, tempo! Como preparar essa síntese não possível para mim nesse momento, compartilho um trecho das conclusões do autor em que ele defende a experimentação como uma espécie de modus operandi. Defende também aproximação da análise do comportamento com outras ciências de interesse comum.

Conforme Morris:

Deveríamos experimentar – experimentar não apenas com o comportamento como nosso objeto de interesse, mas também com nossa ciência, com ciência como comportamento dos cientistas, com nosso ensino dessa ciência a nossos estudantes, colegas e cultura como um todo. Isso pode parecer herético porque a ciência supõe-se comprometida com a Verdade – com “V” maiúsculo – mas não numa explicação analítico-comportamental. Numa explicação analítico-comportamental, não existe “Verdade” com “V” maiúsculo, apenas pequenas “verdades” com “v” minúsculo – se é que existem verdades de fato. E mesmo essas são verdades no sentido de que são consequências para a ação efetiva, empírica e conceitual, sendo “efetividade” definida de forma provisória – e sempre no contexto. A epistemologia empírica da análise do comportamento é o que balanceia, equilibra [ou deveria fazê-lo] humildade com assertividade. Sem uma epistemologia empírica, assertividade é apenas arrogância. Skinner, claro, disse isso primeiro, muitas vezes e de várias formas… Reafirmo suas convincentes observações em um comentário sobre práticas cientificas e a sobrevivência da análise do comportamento…Se Skinner estiver certo em assumir uma abordagem experimental (e acho que ele estava) então temos de alterar a forma como construímos o objetivo, progresso e evolução da análise do comportamento. Nesse processo, temos de descobrir aspectos comuns [commonalities] com colegas em outras ciências e humanidades… Talvez com essas alianças, e por meio delas, entraremos em uma nova era, talvez uma nova ordem intelectual mundial. (Morris, 1992, p.23-24)

Referência

Morris, E. K. (1992). The Aim, Progress, and Evolution of Behavior Analysis. The Behavior Analyst, 15, 3-29

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