Mais Sherlock Holmes, menos Facebook

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Comecei este ano propondo-me a realizar uma série de desafios semanais. O primeiro mês do ano está terminando e já passei:

  • Uma semana sem doces, refrigerantes, carnes
  • Uma semana sem televisão, Youtube e Netflix
  • Uma semana descendo e subindo, uma vez por dia, 14 andares do prédio em que moramos.

Finalmente, o desafio mais importante da série até agora: uma semana sem entrar no Facebook, cumprida entre 22 e 29 de janeiro.

Com esses desafios, espero tornar mais frequentes certos comportamentos e diminuir a frequência de outros. Continuo a restringir o consumo de carnes, doces, refrigerantes. Estou usando um pouco menos o elevador e dedicando menos tempo à TV. A partir de agora, pretendo reduzir também o tempo que passo no Facebook.

Outras amigas estão realizando desafios semelhantes. Duas vezes por semana nos falamos em grupo pelo WhatsApp para comentar o cumprimento do desafio da semana e informar uma às outras o próximo desafio. Tem sido divertido.

A semana sem Facebook. No segundo dia desse desafio, fui marcada em uma foto por um amigo que não costuma sair por ai marcando pessoas na rede. Tive de controlar o desejo de ver a imagem. Consegui.

Exceto por um robô digital, desconheço que alguém tenha sentido minha ausência do Facebook. Durante os 7 dias de desafio, recebi 15 mensagens do robô, sem contar mensagens com informações sobre aniversariantes e sobre as marcações de amigos. Começavam assim: “Várias coisas aconteceram no Facebook desde a última vez que você entrou. Essas são algumas notificações de seus amigos que você perdeu”. E seguia-se uma lista de notificações por tipo de interação (mensagens, pedidos de amizade, atualizações de grupos, marcações, entre outras).

O fato de eu não receber, usualmente, essas mensagens serviu-me de alerta: minha presença é tão frequente no Facebook que o robô nem precisa me avisar que estou perdendo algo. Preciso fazer o robozinho do Facebook sentir mais minha falta ao longo de 2016…

Durante o desafio, li o volume I da obra completa Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle (bela edição em quatro volumes, capa dura, lançada em 2015 pela Nova Fronteira). Incluem-se nesse volume o conto Um estudo em Vermelho, O sinal dos quatros e As aventuras de Sherlock Holmes. Seria pouco provável que eu tivesse tempo para tantas páginas de literatura não técnica, em uma semana normal de trabalho, sem a exigência de desafio.

Um estudo em Vermelho faz parte da literatura paradidática exigida pelo colégio de meu filho para este ano. Esse foi mais um bom motivo para meu filho ler, de forma alternada comigo, essas e as outras histórias da obra de Doyle. Foi divertido discutir com ele a engenhosidade do famoso detetive. Ficamos nos perguntando como seriam as investigações de Holmes e Watson em tempos de Facebook, Instagram, Twitter, época em que quase não há limite separando público e privado. Quem sabe não surge um novo Sir Arthur Doyle para continuar as aventuras investigativas dessa dupla?

ObraCompleta

A releitura de Sherlock Holmes mereceria um post à parte, em que poderia discutir, por exemplo, questões de controle de estímulo no método do detetive. Neste texto, restrinjo-me a essa citação que continua a me inspirar, apesar de conhecê-la há muito tempo.

“É um erro grave formular teorias antes de se conhecerem os fatos. Sem querer, começamos a distorcer os fatos para que se adaptem às teorias, em vez de formular teorias que se ajustem aos fatos”.

Outra grande lição de Holmes: o óbvio é tão óbvio que se camufla. É preciso um olho treinado para enxergá-lo.

Se tivesse de eleger uma frase de efeito para meu primeiro mês de desafios semanais neste ano seria Mais Sherlock Holmes, menos Facebook.

Bom fevereiro e ótimo Carnaval a todas e todos.

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