Mídia, comportamento e cultura

Apresento a seguir o resumo do artigo Mídia, comportamento e cultura  (publicado pela revista Perspectivas em Análise do Comportamento) escrito por mim com as professoras Maria Eliza Mazzilli Pereira e Maria Amalia Andery (ambas da PUC-SP). O texto completo pode ser lido no link no fim do resumo. Críticas e sugestões de melhorias serão muito bem-vindas.

De forma geral, encontram-se os seguintes problemas na literatura que trata da relação entre mídia e público: a) a mídia tradicional (jornal, rádio, televisão) é descrita como antidemocrática, desconsiderando-se serviços relevantes prestados por ela e o controle do público-alvo sobre a mídia; b) a mídia social (blogs, Facebook, Twitter) é tratada como salvaguarda da democracia, sem se considerar formas de censura realizadas por meio de algoritmos específicos, que determinam que conteúdo é exibido ou ocultado do público. Neste artigo, propõe-se uma análise comportamental da mídia, baseando-se em princípios da seleção comportamental/cultural pelas consequências. Argumenta-se ser preciso descrever inter-relações entre agências de controle e em outras contingências de reforçamento que afetam o comportamento individual e em grupo nas interações com a mídia e pela mídia. Implica considerar práticas culturais dominantes, levando em conta que certas práticas podem ser incompatíveis entre grupos constitutivos de uma cultura. À parte a noção de democracia não ser necessariamente consensual, é possível que se encontrem dimensões de práticas democráticas e antidemocráticas nas mídias tradicional e social. Considera-se que a análise do comportamento deveria compreender melhor possibilidades e limites das novas tecnologias de comunicação, sobretudo das mídias sociais, em possíveis intervenções culturais.

Leia o artigo completo aqui

Universo feito de palavras

4424488922_9b597a9a29_b-538x218

“O universo é feito de histórias, não de átomos”, diz a poetisa Muriel Rukeyser. De modo semelhante, Anatol Rapoport afirmou que “a espécie humana vive em um oceano de palavras”. Para refletir sobre o tema, indico a leitura do artigo Dizer e fazer: a palavra e a construção do mundo, da professora Maria Amalia Andery. O artigo pode ser lido integralmente aqui. Outro artigo interessante para essa discussão é Antecedents and Consequences of Words, de Charles Catania, que pode ser lido aqui

Para Skinner, autor de Verbal Behavior (entre ouros livros) o que diferencia a espécie humana de outras espécies é o comportamento verbal. Clique aqui para conhecer os primórdios do livro, as William James Lectures de Skinner. Uma ótima introdução ao livro pode ser lida aqui. E para conhecer esse e outro livros de Skinner visite o site da Fundação B. F. Skinner.

Como disse Catania no referido artigo, não é possível fugir das palavras. Se é assim,  é melhor tentar compreender como somos controlados (e controlamos outras pessoas) por meio da manipulação de estímulos verbais.