Das contingências do reforçamento comportamental

images_prof_alunoA professora perguntou a uma classe de aluno do ensino fundamental qual é a frase que eles mais ouviam no dia-a-dia deles. Um dos alunos disse achar que a frase mais comum ouvida em seu cotidiano era: “Fulano, se comporta!”

A professora, esperta em psicologia comportamental, orientou seu aluno a responder à mãe que comportamento é como o fluxo de águas de um Rio corrente: não para. Enquanto houver vida, há comportamento.

Na primeira vez em que a mãe mandou o filho se comportar, o filho respondeu: mãe, por acaso estou morto? Se não estou morto, estou me comportando. A professora disse que só não se comporta quem já morreu.

A mãe resolveu tirar a questão a limpo e marcou uma reunião com a professora.  Afinal, quem já viu mãe aceitar ter menos autoridade sobre o filho que a professora dele?

A professora, muito educadamente, ouviu a queixa da mãe. E aproveitou a oportunidade para ensinar a mãe como descrever melhor ao filho as contingências de reforço – ou as condições sob as quais uma classe de resposta produz certas consequências – a classe de respostas envolvidas em fazer as lições de casa, por exemplo.

Da próxima vez que seu filho exibir comportamento considerado inadequado, seja mais específica:  esclareça as contingências de reforço, ou seja,  descreva: (1) o comportamento desejado; (2) as consequências para o comportamento desejado.  Ou o contrário: comportamento indesejado e consequências para esse comportamento. Alertou que é preciso ser coerente e agir de acordo com o especificado. Citou como exemplo de descrição de contingência as condições para o filho brincar com os amigos na quadra do prédio quando restava uma lição de casa para entregar no dia seguinte.

Se o filho terminar a lição em dado tempo, com certa qualidade, poderá descer para a quadra e jogar com os amigos. A professora aconselhou a mãe a ser bastante específica, do contrário o filho poderia terminar a lição de qualquer jeito, fazer a lição ‘malfeita’, e correr para brincar com os amigos. Esse caso exemplifica uma contingência do tipo “se”….”então”… Em nossas relações no dia-a-dia muito frequentemente, porém, falta completar a descrição.

Regras, como as mencionadas, devem descrever as condições para se obter (ou livrar-se, escapar) de certas consequências.

Sobre o conceito de contingencia de reforço na Análise do comportamento, leia aqui artigo da professora Deisy das Graças de Souza, da UFSCar. E aqui, temos um artigo das professora Amalia Andery e Tereza Sério sobre definição de comportamento; comportamento e causalidade entre outros assuntos do gênero.

Boa leitura

Papel de falante e ouvinte no comportamento verbal

B. F. Skinner apresenta em sua obra seminal Verbal Behavior (traduzido para português como O comportamento verbal) uma proposta singular para estudo de fenômenos que são tradicionalmente referidos como linguagem. Inicia o livro caracterizando comportamento operante – comportamento que depende dos próprios efeitos para ser instalado e mantido no conjunto de repertórios de um indivíduo. Conforme Skinner (1957):“Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação” (p.1). A seguir, Skinner nota que a ação do homem da qual emergem as consequências para seu comportamento pode ocorrer de forma direta – ele interage diretamente com o ambiente físico – e de forma indireta: as consequências finais de seu comportamento dependem do comportamento de outra pessoa. Alguém pode obter um copo d’água dirigindo-se a um bebedouro e pegando água ele próprio ou pode obter água pedindo um copo d’água a alguém. No primeiro caso, o efeito depende da interação com o mundo físico, direto; no segundo, depende-se de alguém que medeie o reforço. Para obter água no último caso o falante primeiro terá de afetar outra pessoa.

Skinner (1957) destaca, portanto, que o estudo do comportamento verbal exige a compreensão dos comportamentos de falante e ouvinte. Essa noção aparece de forma implícita ou explícita ao longo de Verbal Behavior (1957), a começar pelos dois capítulos iniciais do livro, quando o autor: a) apresenta comportamento verbal como comportamento operante cujo efeito depende do comportamento de outro indivíduo; b) apresenta uma síntese de seu programa de estudos, na qual afirma que o comportamento do ouvinte exige explicação, e que o ouvinte é estudado supondo-se o falante e vice-versa; c) descreve alguns problemas que terá de enfrentar para levar a cabo o próprio programa de estudo, um dos quais é justamente explicar o comportamento do ouvinte no episódio verbal, o que o autor começa a fazer no capítulo sobre mando e quando define, de forma mais apurada, o próprio objeto de estudo; d) e, ainda, quando descreve a comunidade verbal.

É possível que a menção de Skinner de que está interessado no comportamento do falante individual leve à suposição de que o autor reduziu o papel do ouvinte nos fenômenos verbais. No entanto, a afirmação do autor parece apenas ser uma forma de mostrar a novidade de sua proposta: ele vai demonstrar que analisando o comportamento de dois indivíduos, um em relação ao outro, com base em uma história de reforçamento construída por uma comunidade verbal, é possível explicar fenômenos tradicionalmente referidos como linguagem. Não é necessário recorrer a fenômenos de grupo como se esses fenômenos tivessem “vida própria” e pudessem explicar a origem do comportamento. Para Skinner, o que torna o comportamento verbal um fenômeno dinâmico, talvez pudéssemos acrescentar, a ponto de parecer que constitui uma “entidade social” à parte, são as contingências de reforço que explicam o comportamento de falante e ouvinte numa dada comunidade verbal e diante de situações de estimulações/motivacionais específicas.

Mas se o alerta de Skinner, já no primeiro capítulo de Verbal Behavior, de que analisar comportamento verbal exige estudar o comportamento de falante e ouvinte passou despercebido pelo leitor, Skinner é enfático no último subtítulo do segundo capítulo do livro, denominado O OUVINTE E O ESPISÓDIO VERBAL TOTAL (assim mesmo em caixa alta). Note-se que no seguinte trecho do referido subtítulo Skinner sugere que a função de falante e ouvinte estão tão imbricadas entre si que não é possível separar uma da outra. O episódio verbal envolve o entrelaçamento de ambas as funções, na qual uma pessoa pode atuar ora como estímulo evocativo do comportamento (nessa função Skinner chamou o ouvinte de audiência), ora como mediador do reforço (ouvinte propriamente). Nos termos do autor:

“Numa descrição completa de um episódio verbal precisamos mostrar que o comportamento do ouvinte proporciona de fato as condições que tínhamos suposto na explicação do comportamento do falante. Nós precisamos de descrições separadas, mas que se entrelacem, tanto do comportamento do ouvinte quanto do comportamento do falante se nossa explicação do comportamento verbal tiver de ser completa. [grifo acrescentado]. Na explicação do comportamento do falante, pressupomos um ouvinte que reforçara seu comportamento de determinadas maneiras. Na descrição do comportamento do ouvinte pressupomos um falante cujo comportamento tem certas relações com condições ambientais. As trocas entre eles devem explicar todas as condições assim supostas. A descrição de todo o episódio estará então completa”. (Skinner, 1957, p. 34).

Uma nova formulação – no roteiro de estudo do comportamento verbal, conforme Skinner (1957),  pode subdividir-se em quatro partes, descritas a seguir.

1º estágio: descritivo – tem-se de descrever a topografia, a forma do comportamento.

2º estágio: explicativo – descrever condições relevantes para a ocorrência do comportamento: identificar e analisar as variáveis da quais o comportamento é função.

3º estágio: identificar/explicar as características dinâmicas do comportamento verbal dentro de um quadro apropriado ao comportamento humano como um todo. E aqui, diz Skinner, é preciso considerar o comportamento do ouvinte. “Relacionando-o com o comportamento do falante, completamos nossa explicação do episódio verbal”.

4º estágio: prever e controlar o comportamento.

Um aspecto importante a ser considerado na análise do comportamento verbal refere-se à causação múltipla do comportamento, conforme esclarece Skinner neste trecho:

“O comportamento verbal é usualmente o efeito de múltiplas causas. Variáveis separadas combinam-se para ampliar seu controle funcional e novas formas de comportamento surgem da recombinação de velhos fragmentos. Tudo isso exerce influencia sobre o ouvinte, cujo comportamento, por sua vez, exige análise”. Esse tema é tão importante que mereceu um capitulo à parte em Verbal behavior, o qual Skinner inicia assim: “DOIS FATOS EMERGEM de nosso estudo sobre de relações funcionais do comportamento: 1) a força de uma única resposta pode ser, e usualmente é, função de mais de uma variável e 2) uma única variável costuma afetar mais de uma resposta” (Skinner, 1957, p. 227).

A marca do estudo do comportamento verbal em B. F. Skinner – estudar linguagem com base no comportamento individual (baseando-se na análise de um episódio verbal simples entre falante e ouvinte) é uma das principais marcas da proposta de Skinner para o estudo da linguagem. Isso não significa que Skinner não considere o efeito do grupo sobre falante e ouvinte individualmente. Tanto que reservou um apêndice em seu livro para tratar da comunidade verbal (pp. 461-470).  Outro aspecto importante é a preocupação do autor com questões de natureza prática. Conforme Skinner (1957):

“Um traço importante da análise que vamos empreender é que ela se volta para o comportamento do falante e do ouvinte individual; não recorreremos a conceitos estatísticos baseados em dados obtidos com grupos. A formulação será eminentemente prática e sugerirá aplicações tecnológicas imediatas. Apesar da ênfase não ser experimental nem estatística, o livro não é propriamente um livro teórico no sentido comum. Ele não recorre a entidades explicativas hipotéticas. O objetivo último é a previsão e o controle do comportamento verbal”.

Para quem estiver interessado em um texto básico sobre comportamento verbal, indico este, das professoras da PUC-SP Maria Amalia Andery e Tereza Sério e este, dessas mesmas autoras.

Para uma discussão específica sobre o ouvinte, indico este de Skinner.

Referências

Skinner, B. F. (1957). Verbal Behavior. New York: Appleton-Century-Crofts.

Skinner, B. F. (1978). O comportamento verbal. São Paulo: EDUSP

Skinner, B. F. (2002/1974). Sobre o behaviorismo. 7 ed. [Tradução de Maria da Penha Villalobos]. São Paulo: Cultrix (obra publicada originalmente em 1974).

Skinner, B. F. (2005). Questões recentes na análise comportamental. Campinas: Papirus Editora (Obra publicada originalmente em 1989).

O que existe e o que não existe

Meu filho se queixa de um amigo que ele chama de “o do contra”. Diz que a tudo o amigo se opõe. Em uma conversa sobre dragões, exemplifica, o amigo se apressa em dizer que dragões não existem e fim de papo! Meu filho diz que existe sim: o dragão-de-komodo. Mas o amigo diz que esse não conta. E meu filho se diz inconformado.

Aproveito a oportunidade para dizer para meu filho que, sob alguns aspectos, a diferença entre fato e ficção é sutil mesmo. Não sei se existem pessoas que acreditam na existência de dragões. Mas o que são dragões?

Como sou mãe humana – e diz o Manuel Bandeira, que Diabo não há, existe é o homem humano – penso em ensinar uma forma de contra-controle ao meu filho, para a próxima ocasião e que a discussão sobre dragões vier à tona e o amigo dele tentar desestabilizá-la.

Sugiro que pergunte ao amigo se ele acredita em Deus. A resposta, diz meu filho, certamente será afirmativa. E você continua: pois bem, não existem provas científicas da existência de Deus, mas existem quem acredite em Deus, certo? Da mesma forma, não existem evidências sobre a existência de dragões, mas é possível afirmar, com toda segurança, que dragões não existem? Pela lógica de um religioso, não! Pela lógica científica, talvez sim.

Lembro que, em alguns casos, a diferença entre “fato”,  “mito” ou crença e história pode ser sutil mesmo. Pode ser histórica e variar conforme o grupo social. Uma coisa é explicar um fenômeno do ponto de vista religioso; outra diferente pode ser explicar o mesmo fenômeno do ponto de vista da ciência. Cito um exemplo clássico: criacionismo versus selecionismo (meu filho já está familiarizado com a diferença entre esse dois polos para explicar a existência da vida na terra).

Para levar a questão na esportiva, como se diz, convido meu filho a reler um livro paradidático, usado em sua classe este ano: Divinas Aventuras – histórias da Mitologia Grega, de Heloisa Prieto, e com belíssimas ilustrações de Maria Eugênia (Companhia das Letrinhas). E lembro de outro livro usado em cursos anteriores: Bichos que existem e bichos que não existem, de Arthur Nestrovski, também ilustrado por Maria Eugênia.

Para concluir a conversa com meu filho, digo-lhe que até entre adultos que estão no topo  a educação formal (ele e o amigo são alunos de 5º ano) nem sempre existe acordo sobre o que existe e o que não existe.

Transcrevo, a seguir, um trecho de Hobsbawm, retirado do livro Sobre história, em que o autor se opõe à onda pós-modernista que afirma que o que existe é apenas construto social. Diz Hobsbawm:

“Nas últimas décadas, tornou-se moda, principalmente entre pessoas que se julgam de esquerda, negar que a realidade objetiva seja acessível, uma vez o que chamamos de ‘fatos’ apenas existem como uma função de conceitos e problemas prévios formulados em termos dos mesmos. Esse constructo é, em princípio, tão válido quanto o outro, quer possa ser apoiado pela lógica e por evidências, quer não. Na medida em que constitui parte de um sistema de crenças emocionalmente fortes, não há, por assim dizer, nenhum modo de decidir, em princípio, se o relato bíblico da criação da terra é inferior ao proposto pelas ciências naturais: apenas são diferentes. Qualquer tendência a duvidar disso é ‘positivismo’, e nenhum termo desqualifica mais que este, exceto empirismo.

Em resumo, acredito que sem uma distinção entre o que é e o que não assim, não pode haver história. Roma derrotou e destruiu Cartago nas Guerras Púnicas, e não o contrário… Na verdade, poucos relativistas estão à altura plena de suas convicções, pelo menos quando se trata de responder, por exemplo, se o Holocausto de Hitler aconteceu ou não. Porém, seja como for, o relativismo não fará na história nada além do que faz nos tribunais. Se o acusado em um processo por assassinato é ou não culpado, depende da avaliação da velha evidência positivista, desde que se disponha de tal evidência. Qualquer leitor inocente que se encontrar no banco dos réus fará bem em recorrer a ela. São os advogados dos culpados que recorrem a linhas pós-modernas de defesa”.

 

Referência

Hobsbawm, E. J. (1998). Sobre história: São Paulo: Cia das Letras.

E para uma boa análise comportamental sobre crenças, leia o artigo Attitudes and beliefs as verbal behavior, de B. Guerin, tratado neste post.

Alguns desafios para o estudo do comportamento verbal

Azrin, Holz, Ulrich e Goldiamond (1961/1973) replicaram um estudo realizado por Verplanck (1955), em que avaliaram a possibilidade de estudantes controlarem conversas casuais de outras pessoas por meio do reforçamento diferencial de certo tipo de opinião/afirmação e da extinção de todos os outros tipos de afirmação.

O estudo envolveu três experimentos, que foram aplicados em sala de aula. No primeiro experimento, 16 estudantes de pós-graduação foram especialmente preparados para aplicar o procedimento. A preparação incluiu o que os autores chamaram de instrução intensiva sobre condicionamento operante, seguida de uma verificação sobre os conhecimentos adquiridos pelos estudantes aceda do assunto ensinado. Os estudantes foram instruídos a ler o estudo de Verplanck (1955) e os conhecimentos deles sobre o referido estudo foram testados.

Metade dos estudantes conduziu um procedimento que consistia de 10 minutos de extinção, seguidos de 10 minutos de reforçamento, mais dez minutos de extinção. A outra metade aplicou procedimento reverso: reforçamento, extinção, reforçamento. Extinção foi caracterizada como o ouvinte (no caso, o estudante que estava no papel de experimentador) ficar em silêncio, ao passo que reforço foi definido como a concordância do ouvinte com as opiniões do participante.

De acordo com Azrin e cols., entre os estudantes que aplicaram o procedimento, 14 relataram maior frequência de opiniões durante o procedimento definido como reforçamento do que durante o procedimento de extinção (um “estudante-experimentador” não concluiu o experimento).  A frequência de outras afirmações, que não opiniões, não mudou muito (pp.187-188).

Os autores observam que nenhum dos estudantes que concluiu o experimento relatou dificuldades para aplicar o procedimento. No entanto, o estudante que desistiu da aplicação contou que achou difícil manter a conversação sem participar ativamente dela e também relatou ter achado difícil reconhecer opinião versus afirmação.

Apesar de os demais estudantes, em um primeiro momento, não relatarem semelhante dificuldade, em discussões posteriores um estudante contou que tinha gravado a aplicação do procedimento. Um segundo estudante analisou a gravação e admitiu ser difícil distinguir o período de reforçamento do de extinção. Os autores ficaram em dúvida se os estudantes tinham de fato se comportado perante seus ouvintes (os participantes) conforme determinava o procedimento: ou seja, ficar em silêncio na extinção e reforçar apenas as respostas-alvo.

No segundo experimento, o mesmo procedimento foi aplicado por estudantes universitários de outra sala de aula, sem que tivessem lido o estudo original ou fossem informados sobre a existência dele. Como no experimento anterior, os estudantes receberam instrução e tiveram seus conhecimentos sobre princípios de reforçamento operante testados. Os pesquisadores adotaram o mesmo procedimento do primeiro experimento, exceto pela extinção, que foi caracterizada como discordância, em vez de silêncio. De 12 estudantes que concluíram o estudo, 11 relataram que discordância produzia mais baixa frequência de opinião do que concordância. Novamente os estudantes não relataram dificuldade na aplicação do procedimento. Os autores estranharam o fato, porque apesar da aparente dificuldade em identificar afirmações e opiniões (relatada pelos estudantes do primeiro experimento) e de outras dificuldades referentes à aplicação do procedimento, todos os estudantes relataram que concordância com a opinião do falante produziu maior frequência do comportamento verbal dos participantes. Uma análise dos resultados desse estudo revelou aparente relação entre a compreensão dos princípios de reforçamento pelos estudantes e os resultados relatados por eles. (Estudantes com menor conhecimento sobre tais princípios geralmente relatavam menor efeito do reforçamento sobre as opiniões). Os autores supuseram que os estudantes ou não seguiram o procedimento apropriado ou não tinham expectativas seguras quanto aos resultados.

O terceiro experimento foi conduzido para testar a última hipótese. O procedimento foi aplicado por uma classe de estudantes universitários sem que eles tivessem lido o experimento original. Metade dos estudantes aplicou um procedimento que consistiu de dez minutos de reforçamento, seguidos de dez minutos de extinção e dez minutos de reforçamento.  A outra metade aplicou um procedimento de extinção-reforçamento-extinção. Reforçamento novamente foi definido como concordar com a opinião do outro e extinção, como manter-se em silêncio.

O experimento foi realizado durante e depois de os estudantes receberem instrução sobre princípios de reforçamento. O resultado foi semelhante ao dos experimentos anteriores: 44 de 47 estudantes relataram maior frequência de opinião durante as sessões de reforçamento (concordância com o falante) do que durante sessões de extinção.

Baseando-se nas discussões de Azrin e cols. pode-se inferir que os resultados desses três experimentos possivelmente tenham mais relação com o comportamento dos estudantes que aplicaram os procedimentos do que com o dos participantes – ou pelo menos tanto quanto. Tanto que os autores interpretaram seus resultados como indicativos da necessidade de se desenvolver mecanismos mais objetivos para o estudo do comportamento verbal. “Sem tal objetividade”, afirmam, “os resultados de estudos sobre condicionamento verbal podem refletir mais as expectativas e teorias do experimentador do que o comportamento dos participantes”.

Outro desafio importante para o estudo do comportamento verbal é o fato de ele poder se mantido sem que sejam produzidas consequências práticas. Por isso, como afirma Skinner (1957/1978): “pode libertar-se mais facilmente do controle de estímulos, porque por sua própria natureza não requer apoio ambiental: isto é, nenhum estímulo precisa estar presente para dirigi-lo ou formar importantes elos na cadeia de respostas” (pp. 68/47).

Some-se a isso, o fato de o comportamento verbal ser multideterminado. A noção da causalidade múltipla no comportamento permeia todo sistema explicativo da análise skinneriana. No que diz respeito ao comportamento verbal, embora Skinner trate dessa característica do comportamento desde o capítulo inicial de Verbal Behavior, dedicou um capítulo à parte para essa discussão, a qual Skinner resume assim:

Do nosso estudo sobre as relações funcionais do comportamento verbal emergem dois fatos: 1) a força [probabilidade] de uma única resposta pode ser, e usualmente é, função de mais de uma variável; e 2) uma única variável costumar afetar mais de uma resposta. (Skinner, 1957/1978, p.273)

Referências

Azrin, N. H., Holz, W., Ulrich, R., e Goldiamond, I. (1973). The control of the content of conversation through reinforcement. Journal of Applied Behavior Analysis, 6, 186-192.

Skinner, B.F. (1978). O comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix.

Skinner, B. F. (1957/1992). Verbal Behavior. Cambridge, Massachusetts: B. F. Skinner Foundation

Verplanck, W. S. (1955). The control of the content of conversation: reinforcement of statements of opinion. Journal of abnormal and Social Psychology, 55, 668-676.

Análise do comportamento aplicada ao tratamento de autismo

Nas últimas semanas tem ocorrido na mídia tradicional e nas redes socais discussões sobre abordagens da Psicanálise e da Análise do comportamento para tratamento de pessoas diagnosticadas com autismo. Confesso que não tenho acompanhado o debate de forma sistemática. E digo também, de saída, que sou leiga no tema, embora tenha amigos próximos que são grandes especialistas no estudo e na aplicação da Análise do comportamento para o tratamento de pessoas com autismo e com outros problemas.

Em meio das discussões sobre o tema, casualmente tive acesso ao artigo Applied Behavior Analysis treatment of autism: the state of the art, de Richard M. Foxx, publicado no periódico Child and adolescent psychiatric clinics (edição 17, 2008, pp. 821-838).  Note-se que o artigo não foi publicado em periódico de Análise do comportamento, e sim em um periódico médico.

Gostei muito do artigo de Foxx pela clareza que trata do assunto. Considerei que compartilhar seu artigo neste espaço seria boa forma de colaborar com o debate atual sobre possibilidades de tratamento para pessoas diagnosticas com autismo.

Foxx inicia o artigo com afirmação chocante. Diz que “tratamento de indivíduos com autismo frequentemente envolvem práticas sem fundamentos científicos, embora se tenha disponível um tratamento validado cientificamente e altamente efetivo, a Análise aplicada do comportamento (ABA)”.

Fiquei me perguntando o que levaria mães, pais, instituições de saúde públicas ou privadas, a investirem tempo e dinheiro em métodos alternativos de tratamento quando existem sólidas evidências científicas sobre a eficácia de dado método. Mas não vou entrar nessa discussão.

Depois dessa afirmação contundente na abertura do artigo, Foxx nota que o tratamento ABA tem mostrado eficácia em várias áreas e cenários de aplicação. Conforme o autor:

“ABA, às vezes chamada de terapia comportamental ou modificação do comportamento, usa métodos derivados de princípios do comportamento estabelecidos cientificamente. ABA tem sido aplicada de forma bem-sucedida para uma gama de população e áreas, incluindo autismo, transtorno de desenvolvimento, educação em suas muitas formas, negócios, saúde mental, aconselhamento, aconselhamento conjugal, abuso infantil, só para citar algumas”.

Foxx sintetizou em uma tabela (Box 1, no artigo) um conjunto de evidências sobre a efetividade da ABA. Entre essas evidências, destaco as seguintes:

  • Indivíduos de todas as idades têm sido educados e tratados de forma bem-sucedida por mais de 40 anos (crianças por mais de 47 anos) com ABA
  • ABA foi indicada como tratamento de escolha para indivíduo com autismo no início dos anos 1980
  • Nenhuma outra abordagem educacional/tratamento para autismo conta com o apoio de instituições como o Departamento de Saúde do estado de Nova York e Cirurgião geral dos Estados unidos
  • O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) tem financiado pesquisa sobre o tratamento ABA para autismo nos últimos 40 anos
  • ABA é a única terapia reconhecida no tratamento de jovens com autismo
  • Nenhum programa educacional ou abordagem para o tratamento de autismo atinge os critérios científicos atingidos pela ABA.

Foxx resume, conforme descrito a seguir, diretrizes que orientam o tratamento ABA para autismo:

  • Intervenções devem começar o mais cedo possível
  • Intervenções têm de ser intensivas
  • Treinamento e apoio aos pais é ponto crucial da intervenção
  • Intervenções devem focar áreas de comunicação e de interação da criança
  • Tratamentos devem ser sistemáticos, individualizados, com objetivos definidos de acordo com as necessidades de cada criança
  • Intervenções efetivas têm de enfatizar generalizações (assegurar que a mudança de comportamento produzida na criança ocorra em diferentes contextos).

Foxx nota também que em um programa de intervenção ABA incorporam-se fatores que o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos considera caracterizar uma intervenção eficiente. Além disso, tratamento ABA exige profissionais bem qualificados, com, no mínimo, nível de mestrado, e certificados por órgãos competentes para atuar como analistas do comportamento em intervenções comportamentais (não é qualquer analista do comportamento, mas analista do comportamento que recebeu treinamento específico para aplicação).

O autor descreve procedimentos básicos ABA para tratamento de autismo e para programas educacionais, assim como estratégias para assegurar a manutenção dos efeitos da intervenção.

Na conclusão do artigo, Foxx cita Metz e colaboradores, que afirmaram que as únicas intervenções que têm mostrados resultados finais compreensíveis no tratamento de autismo são aquelas baseadas nos princípios da ABA.

Aqui está o texto integral, em inglês, para quem quiser ler o original e checar as referências citadas pelo autor e algumas mencionadas no post.

Possibilidades e limites para diversidade de interações sobre política partidária em blogs

Transcrevo a seguir o resumo de minha tese de doutorado, defendida em maio, na PUC-SP. Confesso que no início da pesquisa eu era meio deslumbrada e meio ingênua ao analisar possibilidades de interações sociais pela internet. Hoje, sou mais realista, graças a contribuições de minha banca e de autores que estudam relações entre mídia, política e cultura, como, por exemplo, Douglas Kellner (ver, por exemplo, A Cultura da Mídia e  Media Spectacle and insurrection 2011 – From the Arab uprisinhgs to occupy everywhere.

Wang, M. A. L. (2013). Possibilidades e limites para diversidade de interações sobre política partidária em blogs. Tese de doutorado. Programa de Estudos    Pós-graduados em Psicologia Experimental: Análise do comportamento, PUC-SP.

Orientadora: Profa. Dra. Maria Eliza Mazzilli Pereira

Linha de pesquisa: Desenvolvimento de metodologias e tecnologias de intervenção

Baseando-se no princípio de seleção operante, é possível supor que certas práticas verbais em uma comunidade tendam a ser, inicialmente, diversas e ao longo do tempo se tornem menos diversas em algumas de suas dimensões. Com o objetivo de estudar esse possível fenômeno, neste trabalho analisaram-se interações verbais nos blogs dos jornalistas Luís Nassif (LN) e Ricardo Kotscho (RK), para identificar aspectos que pudessem ser caracterizados como diversidade e como uniformidade na interação entre participantes, e com respeito a um tema político-alvo. Serviram como fonte um post relacionado com os partidos políticos PSDB e PT publicado no blog de RK, depois reproduzido no blog de LN, assim como seus respectivos comentários. Os comentários foram analisados segundo três aspectos principais: (1) posicionamento e forma de interação entre participantes (classificados quanto à concordância/discordância entre participantes, entre outras categorias, e classificados quanto à forma de apresentá-lo, isto é: com argumento que sustente a posição ou sem argumento); (2) posicionamento e forma de interação sobre PSDB/PT (classificados como favorável ou desfavorável a esses partidos, e com relação à maneira de apresentá-lo: citando aspectos/estratégias do programa do partido/político ou desqualificando o partido/político, por exemplo); (3) posicionamento e forma de interação sobre a orientação da mídia na cobertura política (sendo a orientação da mídia classificada como favorável ou desfavorável ao PSDB/PT, e classificados segundo a forma de apresentá-lo: com críticas/desqualificações dirigidas ao trabalho de empresas/jornalistas específicos ou a empresas/jornalistas em geral). Em ambos os blogs encontrou-se diversidade no posicionamento e na forma de interação entre participantes. Nas interações sobre política, encontrou-se uniformidade no posicionamento do grupo de LN: a grande maioria se posicionou de modo favorável ao PT ou desfavorável ao PSDB. No blog de RK, a relação entre posicionamento favorável e desfavorável ao PSDB/PT ficou mais equilibrada, mas foi maior o número de participantes que se posicionou desfavoravelmente ao PSDB em comparação com o número que se posicionou de modo desfavorável ao PT. Com base em resultados desta e de outra pesquisa em que o blog de LN serviu como fonte, considera-se possível que o comportamento dos participantes do blog de LN tenha passado/esteja passando por processo de seleção, que resultaria em maior uniformidade na orientação político-partidária de seus integrantes. Discutem-se possibilidades e limites para diversidade/uniformidade do produto de interações realizadas na web e para intervenções que pretendam alterar práticas culturais amplamente disseminadas.

Palavras-chave: comportamento verbal, interações em blogs, agência de controle, conhecimento socialmente construído, prática cultural, intervenção cultural.

Em inglês

Wang, M. A. L. (2013). Possibilities and limits for diversity of interactions on political parties on blogs. Doctoral thesis. Program of Postgraduate Studies in Experimental Psychology: Behavior Analysis, PUC-SP.

Advisor: Professor. Dr. Maria Eliza Pereira Mazzilli

Research line: Development of methodologies and technologies of intervention.

Abstract

Based on the principle of operant selection, it is possible to assume that certain verbal practices in a community tend to be initially diverse and over the time become less diverse. Aiming to investigate this assumption, in this study the verbal interactions on the blogs of the journalists Luis Nassif (LN) and Ricardo Kotscho (RK) were analyzed. The goal was to identify aspects of the interaction between participants and of the opinions about the target political issue that could be characterized as diversity and uniformity. A post related to the Brazilian political parties PSDB and PT published, at first, in the blog of Kotscho and, after that, re-posted in the blog of Nassif, as well as comments on the post, served as data for the analysis. All comments published in both blogs were analyzed according to three main aspects: (1) positioning and form of interaction between the participants (classified as agreement/disagreement, among other categories, and classified according to how the participants  presented their opinions, that is,  with or without arguments); (2) positioning and form of interaction about PSDB / PT(classified as favorable or unfavorable to these political parties, and classified with respect to how the arguments were presented, that is, citing aspects / strategies of the party’s political program, or disqualifying the political party / politician belonging to the party; (3) positioning and form of interaction about the orientation of the media in political coverage (classified as favorable or unfavorable to PSDB / PT, and classified according to how the participants described the media coverage, that is, with criticisms / disqualifications addressed to media companies / journalists in general, or with criticisms / disqualifications addressed to specific media companies/journalists).  Diversity in many aspects of interactions between participants was found in both blogs. Regarding interactions about politics, uniformity was found in LN’s blog: the majority of the participants positioned favorably to PT and unfavorably to PSDB. In RK’s blog, the relationship between favorable and unfavorable positioning to PSDB / PT was more balanced, although with the largest number of participants positioned themselves unfavorably to the PSDB compared to the number of the participants that positioned themselves unfavorable to PT. Based on these results and from the results of other research in which interactions in the LN’s blog were analyzed, it is possible that the behavior of the group in LN’s blog has gone / is going through a selection process, resulting in a more uniform political orientation of its members. Possibilities and limits to diversity / uniformity of verbal interactions on web are discussed, as well, possibilities and limits to planning potential interventions for changes in cultural practices widely disseminated.

Keywords: verbal behavior, interactions on blogs, control agency, knowledge socially constructed, cultural practice, cultural intervention.


Atitude e crença como construção social

No artigo Attitudes and beliefs as verbal behavior (Guerin, 1994), Guerin descreve a atitude e crença como comportamento verbal que pode ter a forma de tato, de intraverbal ou de mando. Para Guerin, o que, fundamentalmente, distingue atitude de crença são propriedades da conversação ou seus diferentes efeitos sobre o ouvinte. (Guerin, 2004, p. 213). Assim, verbalizações referidas como crenças podem servir como suporte ou justificativa para uma atitude declarada, mas apenas, diz Guerin, se a comunidade verbal estiver de acordo com a crença declarada.

Este exemplo pode esclarecer a suposta diferença entre atitude e crença. Uma pessoa afirma ser contra o uso de energia nuclear. Uma declaração como essa pode ser tomada como atitude dessa pessoa perante o tema “energia nuclear”. No entanto, apenas declarar ser contra o uso de energia nuclear pode não ser suficiente para a comunidade verbal reforçar o comportamento do falante. Assim, quem se diz contra o uso de energia nuclear poderá justificar sua atitude e afirmar que se baseia na crença de que energia nuclear tem subprodutos perigosos para a humanidade.

Ao analisar processos pelos quais a declaração de atitude é fortalecida pela comunidade verbal como se fosse tato, Guerin (1994) considera que comportamentos verbais descritos como atitude podem ter origem na generalização de tatos sobre o ambiente externo para tatos sobre o próprio comportamento, passando para tatos de atitude (atitudinal tacts). Cita como exemplo desse processo uma criança que relata a presença de um gato em uma árvore e é reforçada com consequências sociais generalizadas (a existência do gato nem sempre é pré-requisito para liberação de reforçadores sociais). Da mesma forma, a criança pode afirmar que resgatou um gato de uma árvore ou que gosta de gatos. Ainda que essa criança goste realmente de gatos, gostará de alguns gatos específicos e não de gatos de forma generalizada. Mesmo assim, a criança poderá ter seu comportamento verbal reforçado como se fosse tato ao afirmar “gosto de gatos” (p.156).

Para Guerin (1994), atitudes podem ser tratadas como comportamento intraverbal se o relato de atitude estiver sob controle de estímulos verbais em vez de sob controle do ambiente físico imediato. Esse efeito é um dos efeitos comuns, segundo Guerin, de conversações casuais, quando a manutenção da conversa é mais importante do que descrições de preferências ou descrições do ambiente imediato (p.158).  Trata-se daquilo que popularmente é chamado de jogar conversa fora”.

Guerin cita dois aspectos que fortalecem a suposição de que atitude pode ser descrita como comportamento intravebral: a) relatar preferências tende a ser reforçado quando essas preferências forem gerais – por exemplo, “gosto de gatos”; em vez de gosto do meu gato; b) muitas verbalizações de atitudes referem-se a eventos aos quais o falante nunca teve acesso diretamente – por exemplo, afirmações sobre mudanças climáticas ou sobre segurança ou insegurança da energia nuclear. No entanto, verbalizações desse tipo são frequentemente reforçadas pela comunidade como se fossem tatos (Guerin, 1994 p158).

Atitude pode ter, ainda, segundo Guerin (1994), a função de mando. Guerin cita, como exemplo, um chefe que afirma não gostar de pessoas que tomam café no trabalho. Essa declaração pode assumir a função do mando “não tome café enquanto estiver trabalhando” (p. 159), mas é apresentada como se fosse atitude.  Conforme sintetiza Guerin (1994):

As pessoas frequentemente afirmam que suas atitudes são baseadas em suas crenças e declaram atitude positiva ou negativa porque acreditam que há subprodutos positivos ou negativos envolvidos: “porque o risco de acidente nuclear é grande, não gosto do uso de energia nuclear”. . . .  apresentar, porém, uma crença para fortalecer uma declaração de atitude é, em si mesmo, um ato social de persuasão, que exige mais análises . . .; relatos de atitude podem ser reforçados se forem baseados em crenças, mas apenas se a comunidade verbal concordar com as crenças que dão suporte à atitude. (Guerin, 1994, p.160)

Guerin (1994a analisa também a relação entre atitude e comportamento verbal ou não verbal correspondente à atitude declarada. A esse respeito, argumenta que as mesmas contingências sociais que modelam correspondência entre dizer/fazer aplicam-se à afirmação de atitude seguida do comportamento correspondente à atitude declarada. Guerin nota que existe uma série de consequências aversivas para alguém que muda frequentemente: faz algo em um dia e, no dia seguinte, algo oposto ao feito no dia anterior. Agir conforme o declarado comumente é reforçado pela comunidade verbal. O mesmo pode ocorrer com a verbalização de atitude e o comportamento correspondente à verbalização.

Guerin ressalta, porém, que, dado o amplo repertório verbal de um indivíduo, os múltiplos controles envolvidos no comportamento e as múltiplas comunidades verbais existentes na sociedade moderna nas quais um indivíduo toma parte, inconsistências comportamentais – ou falta de correspondência entre dizer/fazer – podem tornar-se frequentes, especialmente quando se trata de comportamento verbal, que está sob controle direto do comportamento de outras pessoas. (Guerin, 1994, p. 162)

Conforme Guerin (2004), conversações podem ter três funções: levar o ouvinte a fazer algo; fazer o ouvinte acreditar em algo ou repetir algo; manter interações sociais (cuja função é manter o ouvinte predisposto a liberar reforçadores e manter o status do falante como integrante de um grupo). Para esse autor, entre as principais funções da conversação destacam-se as estratégias para modificar ou evitar consequências daquilo que foi dito (p.185). E fazem parte dessas estratégias, diz Guerin, apresentar um tópico com termos como atitude e crença.

Referências:

Guerin, B. (1994). Attitudes and beliefs as verbal behavior. The Behavior Analyst, 1, 17 (pp. 155-163).

Guerin, B. (2004). Handbook for analyzing the social strategies of everyday life. Reno, Nevada: Contexxt Press.